João da Sapataria recebia propina mensal de R$ 50 mil, diz empresário delator.

No bojo das informações que deu à Polícia Civil de Quixadá e ao Ministério Público do Ceará, revelando um grande esquema de corrupção que se manteve ativo durante todo o mandato do ex-prefeito João da Sapataria, o empresário Igor Cristino Azevedo Cavalcante, ex-sócio da Construtora São Januário LTDA-ME, responsável pela coleta e destinação do lixo nesta cidade nos anos de 2013 a 2016, afirma também que o ex-prefeito recebia, mensalmente, propina de R$ 50 mil.

O valor era referente ao lucro da empresa em Quixadá. Segundo ele, a empresa recebia mensalmente R$ 300 mil da prefeitura, mas só prestava serviço equivalente a R$ 200 mil. O que sobrava era, então, partilhado entre os sócios da empresa e o prefeito João da Sapataria. Este ficava com R$ 50 mil todos os meses.

Dênis Fernando e Valentim Neto contam bolos de dinheiro que seria, segundo delator, fruto de corrupção.

Intermediários

Segundo Igor Cristino, a propina mensal era, geralmente, recebida por um homem de nome Dênis Fernando, ex-chefe do setor de compras da prefeitura, casado com a sobrinha do prefeito. Nesta foto acima, ele aparece ao lado do secretário de educação, Valentim Francisco de Freitas Neto, contando o que, ainda segundo o delator, seria a segunda parcela de R$ 100 mil paga a João da Sapataria em troca da vitória na licitação do lixo. Ele gargalha enquanto desliza as mãos sobre as notas.

Pelo que disse às autoridades, Igor Cristino garante que este esquema funcionou durante 44 meses.

O dinheiro repartido no esquema provinha, claro, do bolso dos quixadaenses. Os serviços de limpeza da cidade naquela época refletiam bem toda a rapina que estava sendo feita nos cofres públicos, pois deixava muito a desejar. A cidade vivia suja. A comparação com os dias atuais, em que a limpeza da cidade, embora naturalmente não seja perfeita, mas funciona, mostra o quanto um município pode sofrer com a corrupção.

A cidade sofreu

De fato, enquanto se lambuzava com dinheiro público, a gestão João da Sapataria, pelo descuido com a cidade, viu nascer enorme epidemia de dengue, zika e chikungunya.  Boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), no ano de 2016, mostrava Quixadá como o campeão regional de notificações e casos confirmados de chikungunya.

A UPA, naquela época, funcionava em regime de guerra, recebendo de 400 a 700 pessoas por dia. A maioria voltava sem atendimento apropriado, vítimas do mosquito que se multiplicou em cima da sujeira que frutificava com a corrupção. A cidade estava abandonada, mas João da Sapataria contava com a proteção midiática de seus apoiadores, que em 2016 pediriam o apoio do seu grupo político nas eleições municipais.

GARRAS DO PASSADO
PARTE 1: Empresário confessa ao MP-CE propina de R$ 100 mil à campanha de João da Sapataria em 2012


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