Número de mortes equivale a uma chacina produzida pela maior incompetência administrativa que já se abateu sobre Quixadá. (Imagem meramente ilustrativa.)

A Secretária de Saúde de Quixadá, Juliana Câmara, revelou números que mostram a devastação causada pela epidemia de dengue, zica e chikungunya neste município no ano de 2016. Em junho daquele ano, o editor do Diário de Quixadá, Gooldemberg Saraiva, revelou que dezenas de óbitos estavam sendo investigados com suspeita de terem como causa a dengue e a chikungunya. Setores ligados à então gestão João Hudson reagiram com indignação às informações.

As investigações, de fato, estavam acontecendo, e elas já foram concluídas. O resultado mostra que vinte pessoas perderam a vida em consequência direta da dengue e da chikungunya em Quixadá no ano de 2016.  Dezenove pessoas morreram por causa da chikungunya e uma pessoa morreu por causa da dengue.

Além das duas dezenas de vidas ceifadas, o que, em parte, equivale a uma chacina produzida pela maior incompetência administrativa que já se abateu sobre Quixadá, foram também registrados 1.216 casos confirmados de chikungunya e 314 casos confirmados de dengue. Por pouco a tragédia não foi ainda maior.

De fato, a Unidade de Pronto Atendimento experimentava em 2016 um regime característico de conflito de guerra, tentando atender uma média de 400 pessoas por dia, número muito acima da capacidade para a qual aquele equipamento foi planejado. Era um caos total. Ainda hoje, centenas de pessoas convivem com os efeitos de longo prazo da chikungunya, sentindo fortes dores nas articulações do corpo, efeito que aflige com mais crueldade os idosos.

As razões para a derrota da gestão João Hudson na guerra contra o mosquito Aedes Aegypti teve como fatores determinantes a falta de zelo com a limpeza pública – o que gerou milhares de toneladas de lixo espalhadas pelas ruas, a céu aberto, em todos os bairros da cidade -, a desorganização estratégica e o baixo investimento nos agentes de endemias. Em agosto de 2014, por exemplo, aqueles agentes já aderiam à greve por causa dos constantes atrasos salariais e ausência de boas condições de trabalho.

A chacina da incompetência, com 20 pessoas mortas na epidemia de dengue em 2016, mostra que gestão pública é assunto sério.


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