Após cortes de Bolsonaro, verba de pesquisas acaba em julho e Brasil pode ter apagão de estudantes e produção científica

O governo Bolsonaro anunciou na última semana mais um corte no já reduzido orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), o que deverá levar a um verdadeiro apagão na rede de estudantes e pesquisadores do país: só será possível cobrir os custos com eles  até julho. Para o resto do ano, não há verba. Deve ser interrompido o pagamento de bolsas de estudo e, por extensão, a produção científica brasileira.

Em reportagem do jornalista Renato Grandelle no jornal O Globo, aponta-se que estão em risco aproximadamente 80 mil bolsas. “O alerta veio de algumas das principais entidades científicas do país”.

Grandelle entrevistou Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), que explicou: “Este corte prejudica a formação de pesquisadores que poderiam contribuir para áreas críticas ao progresso do país, como o desenvolvimento de remédios que permitam enfrentar epidemias ou tecnologias para aumentar a segurança de barragens”.

Davidovich prevê que alunos de pós-graduação tenham de deixar os estudos, “porque precisam de recursos para sobreviver”, e que os bolsistas que estão fora do país tenham de retornar.

O corte das verbas para o Ministério atinge diretamente o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), principal agência de fomento à pesquisa científica do país. No início do ano, o orçamento do órgão já tinha um rombo de R$ 300 milhões, o que só viabilizaria o pagamento de bolsas até setembro. Na última sexta-feira, o cenário de crise foi acelerado, com o decreto que determinou o contingenciamento de 42,2% das verbas previstas para a pasta em 2019.

O governo Bolsonaro está, portanto, em guerra com a inteligência do país.


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