Testemunhas de Jeová se dividem entre estudo da Bíblia e divulgação de suas crenças, especialmente de casa em casa. (FOTO: site JW.ORG)

Permitam-me, por gentileza, usar este espaço para compartilhar com vocês informações sobre uma situação que considero absurda e extremamente injusta.

É profundamente lamentável o tratamento que as autoridades russas estão dando aos membros da religião das Testemunhas de Jeová. Sei que são um povo pacífico, politicamente neutro, não participam em golpes de estado, não portam armas, recusam-se a participar em guerras ou em qualquer ato que seja lesivo à vida e à segurança alheia.

Apesar disto, estas pessoas pacíficas estão sendo tratadas na Rússia, sem absolutamente nenhuma justificativa, como ameaças. No próximo dia 05 de abril, a Suprema Corte da Rússia julgará o pedido do Ministério da Justiça daquele país para extingui-las como religião organizada.

De fato, mais de 170 mil cidadãos russos que professam esta fé, pais, mães, filhos e filhas, poderão ter seu direito de crença encarado como crime, passível, inclusive, de prisão. Em pleno século XXI é inconcebível que uma nação do porte da Rússia, futura sede da Copa do Mundo, siga pelo caminho da intolerância, do preconceito e do ódio.

Policiais russos arrombam portões de um Salão do Reino, templo usado pelas Testemunhas de Jeová, em Nezlobnaya, Rússia. (FOTO: site JW.ORG)

Particularmente, aderi a uma campanha mundial em curso, feita pelas Testemunhas de Jeová, e enviei uma carta ao Senhor Embaixador da Rússia no Brasil, Sergey Pogóssovitch Akopov, expressando respeitosamente meus sentimentos acerca das ações em curso contra elas. Sei que esta carta será apenas como uma gota num vasto oceano. Apesar disto, fiz minha parte.

Nenhuma organização religiosa pacífica deveria ser alvo da intolerância, do ódio e da perseguição de qualquer que seja o estado. O mesmo direito, defendo, tem aqueles que não possuem nenhuma crença.

O que as autoridades russas estão fazendo com as Testemunhas de Jeová é uma vergonha, algo indigno da nação que recebeu do mundo a confiança para sediar um dos atos de maior congraçamento humano, que é a Copa do Mundo. Adolf Hitler também as perseguiu, condenando milhares delas à morte nos campos de concentração, apenas porque elas não apoiavam sua política sanguinária. O império de mil anos que Hitler desejava não prosperou. Mas na Alemanha que hoje repudia a memória do violento ditador, as Testemunhas de Jeová seguem se multiplicando. Não tenho dúvidas de que as autoridades russas passarão pela mesma experiência, pois nenhuma força é capaz de sobrepujar pela imposição autoritária o valor da liberdade.

Se você tiver a oportunidade de conversar com uma Testemunha de Jeová nos próximos dias, console-a. Encoraje-a. Pergunte o que está acontecendo na Rússia. Em seu trabalho de visitas, elas oram antes de sair de casa para encontrar as palavras certas para consolar você se lhe encontrarem em dificuldades. Sei que são um povo muito unido, que sofre bastante pelos reveses que se abatem sobre seus irmãos nos mais de 239 países em que atuam. Suas palavras de encorajamento poderão fazer toda a diferença no dia de uma delas, mesmo aqui, no Ceará, bem longe da Federação Russa. Não importa se nossas crenças combinam ou não com as crenças delas, defender o direito de tê-las deve ser algo de interesse para todos os amantes da liberdade.

Gooldemberg Saraiva é editor do Diário de Quixadá

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