Hidroxicloroquina foi defendida por Bolsonaro e seus parceiros políticos no tratamento da covid-19.

Em comunicado distribuído ontem, quinta-feira, 25, a seus funcionários, o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, proibiu que médicos tratem pacientes da instituição com protocolos usando cloroquina.

O documento, assinado pela direção do hospital, afirma que não há evidências de que o medicamento reduz a mortalidade e o tempo de internação ou evite o uso de ventilação mecânica em pacientes graves. Também argumenta que possíveis benefícios da cloroquina não superam seus riscos.

O Einstein não tinha protocolo orientando o uso do medicamento e, até agora, cada médico podia decidir se o administrava ou não a seus pacientes.

A decisão do renomado hospital joga por terra a “solução” que havia sido dada no dia 13 de maio pelo médico Ricardo Silveira para o tratamento de pacientes em Quixadá.

Ricardo Silveira e Bolsonaro, parceiros políticos defenderam uso de cloroquina em pacientes.

Em live transmitida ao vivo, Ricardo Silveira, que se apresenta como pré-candidato nas eleições de 2020, defendeu a utilização de protocolos com uso de cloroquina em pacientes com sintomas iniciais da covid-19. Nas palavras dele, havia sido comprovado na Espanha que “esse medicamento evita a replicação do vírus, ou seja, esse medicamento atua na membrana da célula, impedindo que o vírus adentre dentro da célula e se prolifere dentro do organismo de cada pessoa.” E concluiu enfaticamente: “Porque não fazer isso em outros lugares, como por exemplo, aqui em Quixadá?” 

Em seu comunicado, o Einstein diz que a verdade é o oposto e afirma que “os benefícios do uso dos medicamentos não superaram seus riscos conhecidos e potenciais”, e explica que nenhum estudo conseguiu demonstrar evidência sobre benefícios do uso da cloroquina em relação a mortalidade, tempo de internação ou necessidade de ventilação mecânica.

Além desta recomendação para o uso de cloroquina em pacientes, nos moldes defendidos pelo presidente Bolsonaro, Doutor Ricardo Silveira também se notabilizou nestes meses de pandemia por indicar que os doentes de Quixadá fossem internados em leitos de enfermaria que ele havia, supostamente, construído na Maternidade Jesus, Maria e José. Os leitos, porém, não existiam e o lugar nem teto possui.


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