Da esquerda para a direita: Ricardo Silveira, Marcelo Ventura e João Paulo.

O resultado da eleição para composição da mesa diretora da Câmara de Quixadá, para o biênio 2019/2020, realizada nesta quinta-feira, 20, tem significados políticos fortes. O mais perceptível deles é a derrota avassaladora que ela representa para três figuras políticas deste município: Marcelo Ventura, Ricardo Silveira e João Paulo de Meneses Furtado. Entenda.

RICARDO SILVEIRA

Ricardo Silveira atuou nos bastidores, junto aos vereadores de oposição, para tentar formar uma chapa que derrotasse Ivan Construções, candidato apoiado pelo prefeito Ilário Marques. Sem habilidade de articulação suficiente, foi incapaz de consumar a tarefa. Evidentemente, para o médico cardiologista, colocar na presidência um opositor de Ilário era visto como fundamental para atrapalhar a gestão municipal nos próximos dois anos.

Ricardo foi figura de influência na gestão interina, que durou três meses sob comando do vice-prefeito João Paulo. Chegou, inclusive, a fazer indicação de parte do secretariado. Manteve-se, porém, publicamente distante, temendo que as falhas grotescas da administração temporária respingasse nele.

Aliados do médico avaliam que as mídias utilizadas por sua família para fazer política no município mais atrapalham do que ajudam o próprio Ricardo, pois produzem desagregamento.

A reeleição de Ivan Construções foi, sem dúvida, uma grande derrota política para Ricardo Silveira. Mais uma, aliás. Ansiando se tornar prefeito, o pupilo do Senador Eunício Oliveira queria que a próxima presidência da Câmara ajudasse a enfraquecer o governo municipal. Não conseguiu o resultado que almejou.

JOÃO PAULO

O ainda vice-prefeito João Paulo de Meneses Furtado é um caso à parte. Bastou tocar na aba da veste do poder para se transformar completamente. Substituto de Ilário Marques durante três meses, período do afastamento judicial do prefeito Ilário Marques, João Paulo se tornou ferrenho opositor do seu próprio companheiro de chapa, utilizando toda a máquina pública, de forma escancarada, para perseguir o gestor legítimo do município. Abandonou todas as principais lideranças que o ajudaram a se eleger vice-prefeito em 2016.

Para João Paulo, a eleição na câmara era muito importante. Eleger uma presidência alinhada com seus intentos de tomar a administração municipal era considerado vital. Nos bastidores, alguns políticos afirmam que o vice acompanhou de perto as tentativas de formar uma chapa que pudesse vencer Ivan Construções. Politicamente anulado pelas próprias decisões, pouco pôde fazer. Teve que assistir o candidato apoiado por Ilário Marques e Osmar Baquit ser eleito por maioria absoluta.

O resultado da eleição na câmara aconteceu no contexto da desmoralização de uma gestão curta, sob comando de João Paulo, que fez Quixadá perder um ano em três meses.

MARCELO VENTURA

O vereador Marcelo Ventura foi, durante os meses de afastamento judicial de Ilário Marques, o homem forte da gestão interina. De fato, ele assumiu o papel de articulador do governo João Paulo, tomando junto dele as principais decisões administrativas. Nenhum político de Quixadá apitou mais no curto governo interino do que Marcelo Ventura.

Para além do acima, o vereador nutriu, por todo o ano de 2018, o desejo de ser presidente da Câmara e manifestou isto com clareza para vários colegas. Com a ascensão de João Paulo ao comando da prefeitura, viu uma oportunidade de se fortalecer como candidato à chefia do parlamento e chutou o pau da barraca. Foi ele, inclusive, um dos principais articuladores da fracassada tentativa de apear Ilário Marques definitivamente da prefeitura através de um processo de impeachment.

O futuro político de Marcelo Ventura é, hoje, incerto. Há quem acredite que, depois de ter rompido com o projeto político que ajudou a eleger e que o elegeu, o parlamentar não será sequer candidato à reeleição em 2020. Caso contrário, terá que buscar novos nichos eleitorais para compensar o grande número daqueles que, tendo-o apoiado em 2016, estão decepcionados pelo seu proceder mais recente e que, dificilmente, votarão nele de novo.

Na eleição desta quinta-feira, Marcelo não foi candidato, como havia intencionado. Deu seu voto ao vereador cabo Marlim, da oposição a Ilário Marques. Foi voto vencido. Vai continuar na bancada de oposição e deve tentar produzir mais como vereador.

E ILÁRIO MARQUES?

O resultado da eleição na câmara foi extremamente positivo para Ilário Marques, que mostrou, mais uma vez, sua liderança política. Excluindo-se Banabuiú, cuja eleição para a presidência da Câmara ainda não ocorreu, Ilário é o único prefeito, dentre os que lideram municípios que fazem fronteira com Quixadá, que conseguiu eleger um aliado no parlamento.

Para o próximo biênio, o petista terá à frente da câmara o presidente e o vice do seu partido. É um resultado inacreditável para quem, há até poucos dias, estava afastado do comando da prefeitura, com o mandato sob a mira de um possível processo de impeachment e alvejado o tempo inteiro pelas mídias de seus opositores. Poucos políticos tem força para enfrentar com êxito um conjunto de desafios deste tipo.

O que opositores chamam de subserviência da câmara, ao eleger o candidato apoiado por Ilário, é sinal, na verdade, daquilo que lhes falta na política: reconhecimento de liderança. Ou a câmara estaria sendo subserviente a Ricardo Silveira caso tivesse votado no Cabo Marlim? Óbvio que não. Mas para entender isto é preciso inteligência política e experiência, não inveja.


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