Ele tem conquistado cada vez mais usuários e transformado a rotina de muita gente, a ponto de se tornar um medidor (e não apenas um mediador) da intimidade entre as pessoas. Resta agora aprendermos a usá-lo sem causar situações desagradáveis. Necessitamos de um “manual de etiqueta para o WhatsApp”!

Os relacionamentos amorosos já não são mais os mesmos desde que se inventou esse aplicativo, que é um excelente estimulador da desconfiança e do ciúme. Tu, que és inseguro, olhas o WhatsApp de vez em quando para ver o horário do último acesso dos outros; se perceberes que estão online e não é contigo que estão falando, já brota o ciúme, que depois vira cobrança, cara feia, discussão. Se o outro desativa a opção de mostrar o

horário da última visualização, mais um motivo para desconfiança!

Há pessoas que pedem o WhatsApp das outras como se estivessem pedindo uma informação sobre onde fica uma rua, como se não fosse algo íntimo, pessoal, que invade a intimidade, mesmo que não tenhamos ainda parado para pensar nisso.

Na verdade, não é o WhatsApp que invade a intimidade das pessoas, mas, claro, as pessoas é que invadem a intimidade das outras através do WhatsApp. Todos conhecem algum caso de alguém que compartilhou nudes ou um vídeo íntimo com um pretendente através do aplicativo, e o arquivo viralizou, causando escândalo. O app também tem motivado brigas de casais e entre membros da família, facilitado traições, golpes e trotes. Mais de uma vez, houve bloqueio do WhatsApp por determinação judicial.

Afora esses casos extremos, é inegável que o aplicativo tem aproximado as pessoas (eu mesmo retomei contato através dele com colegas com quem não falava havia mais de 20 anos!), mantido os membros da família mais unidos, facilitado o trabalho de muita gente, contribuído para o arranjo de movimentos sociais, para a disseminação de campanhas educativas e de informações diversas. O mundo encolheu ainda mais depois do WhatsApp! É impressionante como tu recebes no mesmo dia o mesmo vídeo de dois contatos que nem se conhecem e que moram em pontos opostos do país.

Porém, é preciso pararmos para refletir sobre o uso que fazemos desse aplicativo. Pesquisas têm sido feitas mostrando os impactos negativos do WhatsApp no rendimento escolar e no trabalho e, o mais grave, no trânsito. Segundo Eduardo Biavati, da UnB, sociólogo e especialista em segurança no trânsito, o uso do celular ao volante aumenta em 400% os riscos de acidentes, e é o WhatsApp o que as pessoas mais acessam quando estão dirigindo e pegam o celular.

Além de tudo isso, há uma questão com a qual poucos têm se preocupado: o consumo de energia. Acessar o WhatsApp constantemente faz com que o consumo da bateria do aparelho aumente, levando-te a recarregar teu aparelho mais de uma vez ao longo do dia. Mais desgaste de bateria, mais desgaste de aparelho, mais consumismo, conta de luz mais cara, mais lixo produzido, mais demanda das fontes de energia…

Oito anos depois de sua invenção, o WhatsApp ainda desafia as pessoas a conhecer os limites da conveniência. Já é tempo de fazer do aplicativo o melhor uso possível. Se o utilizarmos quando realmente convém, se nos livrarmos da mania de repassar tudo o que recebemos (Odeio correntes!) e de dar notícia dos mínimos movimentos que fazemos no dia a dia a todo o mundo, já será um bom começo. Já foste jogado num grupo sem que pedisses e, de repente, passaste a ser bombardeado de mensagens, inclusive de pessoas com quem não tens tanta ou nenhuma intimidade? Já ficaste constrangido de sair de algum grupo em que te puseram sem tu pedires? Sabias que cada membro do grupo agora tem teu número e pode repassá-lo a qualquer um? Pois é… São inconveniências assim que só quem tem WhatsApp sabe como são chatas!

Jards Nobre é professor, escritor, membro da Academia Quixadaense de Letras e escreve para o Diário de Quixadá.

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