O médico Ricardo Silveira é, politicamente, o que se pode definir como biruta de aeroporto: move-se para onde o vento sopra.

Ricardo Silveira ajudou a eleger João da Sapataria em 2012.

Ricardo Silveira ajudou a eleger João da Sapataria em 2012. Tendo sido demitido da secretaria de saúde em 2013, tornou-se opositor e voltou a artilharia das mídias de sua família contra o governo João. Depois, em 2016, precisou do apoio do ex-prefeito para tentar se viabilizar como candidato à prefeitura e voltou a ser seu aliado.

Ainda em 2016, Ricardo se dispôs a abraçar Osmar Baquit, a quem acusava, antes, de ser o pivô de sua demissão na secretaria de saúde em 2013.

Na campanha de 2018 manteve o mesmo comportamento de biruta.

Para Deputado Federal apoiou Danilo Forte; depois mudou para Moses Rodrigues e depois mudou para Odorico Monteiro, tudo ao sabor do que lhe pareceu politicamente vantajoso.

Ricardo Silveira com o então deputado federal Danilo Forte, usando a farda da chamada “Caravana do Coração”.

Ricardo Silveira (ponta direita) também fez campanha para Moses Rodrigues (ponta esquerda) em 2018.

Ricardo Silveira terminou 2018 fazendo campanha para Odorico Monteiro, que não se elegeu.

Para Deputado Estadual começou a pedir votos para Daniel Oliveira, sobrinho de Eunício Oliveira, o senador que o colocou na superintendência da Funasa do Ceará. Da noite para o dia, porém, o médico abandonou a campanha de Daniel Oliveira e passou a apoiar Salmito Filho. Um acordo entre Salmito e Eunício teria resultado em Eunício “dar Quixadá” a Salmito. No pacote, teria vindo o voto do Doutor que, pelo visto, pertencia ao senador, assim como o cargo na Funasa. Pelo menos foi esta a versão dada por um vereador próximo do médico.

Ricardo Silveira recebe orientações de Daniel Oliveira, sobrinho de Eunício Oliveira, para quem começou a fazer campanha para deputado estadual em 2019.

Ricardo Silveira terminou 2018 fazendo campanha para Salmito (no centro da foto), supostamente a mando de Eunício Oliveira. Na ponta esquerda, João Paulo, vice-prefeito de Quixadá.

Ciente de que Camilo Santana não tinha adversário a altura em 2018, não teve cerimônia em se manifestar a favor do governador petista.

Ricardo Silveira abraça campanha do PT para o governo do Ceará em 2018.

Sem qualquer consistência política e ideológica, apoiou o PT para o governo do Ceará e pouco depois, já no segundo turno das eleições presidenciais, passou a apoiar Bolsonaro, com quem mantém posturas semelhantes e de quem é admirador. Em 2016, dadas estas semelhanças, chegou a classificar a homossexualidade como doença, em debate na Feclesc. Havia sido, antes, admirador de Michel Temer.

Mesmo tendo feito campanha para o governo do PT no Ceará, Ricardo Silveira apoiou Bolsonaro em 2018.

Em campanha pela eleição de Bolsonaro, após apoiar o PT para o governo do estado do Ceará.

Ricardo Silveira havia sido, antes de Bolsonaro, apoiador do governo Michel Temer.

Pelo que parece, Ricardo Silveira pensa em transformar Quixadá num reduto bolsonarista. Sonha em ver Quixadá como o município com mais bolsonaristas no Estado do Ceará. Um dos seus irmãos controla o PSL no município. Antes, outro de seus irmãos controlava o PMDB. Mas, fiel ao seu estilo biruta de aeroporto, Ricardo aparentemente já planeja uma porta de saída caso o governo Bolsonaro não lhe renda o que ele espera. Agora o médico tenta aproximação com Ciro Gomes, do PDT. Se Osmar não vota no médico em razão de sua bem sucedida aliança com Ilário Marques, Ricardo parece sonhar que pode obrigar Osmar a apoiá-lo à força, minando o PDT local por cima. Nos bastidores, porém, corre a história de que Ciro já o teria descartado.

Ricardo Silveira em recente encontro com Ciro Gomes.

Sem grupo político integrado em torno de um projeto específico, o médico quixadaense vai construindo sua política de conveniência. Não tem votos próprios em Quixadá, tanto é que passou vergonha com a votação dada aos candidatos que apoiou para deputado. Não teve coragem de concorrer ao parlamento cearense. Perdeu em consistência política para o advogado Sérgio Onofre, um estreante na disputa que tem se mostrado firme, pelo menos até agora, em sua candidatura para 2020.

Os votos de Ricardo Silveira são, na verdade, de Ilário Marques, só que pelo avesso. Em Quixadá, tanto faz Ricardo Silveira ou uma porta ser candidato único de oposição a Ilário, os votos serão os mesmos.

Em 2016 o médico se apresentava como o “novo na política”, o “Tum Tum Tum” da renovação e da libertação das velhas práticas envolvendo acordos e conchavos, mas esse teatro chegou ao fim. Há tempos o doutor perdeu, como se diz, a virgindade e inocência políticas e se rendeu à metodologia do sistema. Não é mais a opção dos anti-petistas em Quixadá. Ninguém sabe dizer exatamente o que ele defende. Não possui identidade política própria. É para todos os efeitos só mais um político amarrado a acordos de pé de ouvido, comportando-se segundo a conveniência, em busca de votos e de poder, virando-se para onde o vento soprar, tal como uma biruta velha de aeroporto.


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