Mosteiro na Serra do Estevão, em Quixadá.

Há 129 anos atrás, precisamente no dia 03 de agosto de 1889, dois religiosos partiram de Olinda, em Pernambuco, numa missão que acabaria mudando a história de um pequeno povoado em Quixadá, dando-lhe um tipo de grandeza histórica que dificilmente seria alcançada de outro modo.

Um dos viajantes era o monge beneditino Dom Maurício Prickzy, ainda jovem, mas cuja vida o levaria a se tornar grande benfeitor na Terra dos Monólitos, cujo distrito agora eterniza seu nome. Dom Maurício e seu companheiro de viagem, um superior hierárquico da ordem religiosa, buscavam um local onde pudessem construir um refúgio seguro contra a peste da febre amarela, que quase dizimou a missão beneditina em Olinda.

Depois de um sem número de acontecimentos, cuidadosamente narrados pelo grande memorialista quixadaense João Eudes Costa, em seu livro “Retalhos da História de Quixadá”, a Serra do estevão acabou sendo o local escolhido para abrigar os monges beneditinos que, ali, construíram o Mosteiro de Santa Cruz, ponto focal de distribuição de educação e cultura no Ceará por muitos anos.

Rodovia para Dom Maurício tem potencial para revolucionar turismo na Serra do Estevão

Histórias como esta, perversamente resumidas aqui, mostram o inacreditável potencial da Serra do Estevão para exploração turística. Detalhes que, com o distanciamento histórico, se transformaram em grandes acontecimentos que moldaram a vida do sertão no centro do Ceará, são irresponsavelmente desperdiçados como geradores de riqueza econômica.

Como é possível deixar passar batida a grande oportunidade de explorar turisticamente as histórias de índios, colonizadores, padres, monges, escravos e até assombrações que pertencem à Serra do Estevão? Com muito menos, outras localidades do Brasil atraem visitantes de todo o mundo e fazem disso um motor econômico fenomenal. Os 24 km de extensão e 10 km de largura da cadeia montanhosa que formam a serra em Quixadá são, de fato, um pote de ouro ainda não aberto.

Com uma história que, com o mínimo de inteligência e de iniciativa poderiam transformar a vida de qualquer localidade, a Serra do Estevão sofre ao longo de décadas com problemas de acessibilidade. Isto afasta as pessoas, dificulta uma cultura de visitações e a relega a refúgio de seus moradores e local de descanso de algumas poucas famílias tradicionais com residência fixa na cidade. A boa notícia? Isto pode mudar em pouquíssimo tempo.

O Governador Camilo Santana anunciou, no último sábado, 30 de março, que no próximo dia 17 de abril as propostas para uma obra de restauração do trecho de 20 km entre Dom Maurício e a sede de Quixadá, serão finalmente conhecidas. Passada esta etapa, em pouco tempo a obra deve começar. Mais de R$ 20 milhões serão investidos.

A partir daí caberá ao poder público estadual e municipal – que devem atuar para atrair olhares para o local, e à inteligência de investidores privados e do próprio povo comum que ali reside, explorar todo o potencial de uma área que pode experimentar uma verdadeira explosão de desenvolvimento. Na borda política dessa história, ponto para a aliança entre Osmar Baquit, Rachel Marques e Ilário Marques que, após anos de disputas, deram as mãos para assegurar uma conquista tão importante e merecida. É com esse tipo de união e de esforço político que Quixadá ganha.

EDITORIAL


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