Ricardo Silveira decide amanhã se Quixadá precisa aumentar medidas de isolamento.

O prefeito Ricardo Silveira (PSD) decide nesta segunda-feira, 08, se Quixadá precisa aumentar as medidas de isolamento social. Na sexta-feira, 05, ao lado de outros prefeitos do Sertão Central, ele decidiu pela decretação de lockdown no município, mas desistiu horas depois de tomar a decisão.

No sábado, 06, o prefeito publicou nas redes sociais um vídeo dizendo estar numa fase difícil da sua vida e que se sentia pressionado pelo comércio “que não pode parar” e pela saúde “que precisa de um suporte”. Acrescentou: “Estou fazendo de tudo para não decretar lockdown.” Não especificou exatamente o que está fazendo, mas anunciou que se reúne na segunda com uma equipe para decidir se aumenta as medidas de isolamento ou se mantém o decreto já em vigor.

A ausência de fiscalização apropriada em Quixadá das medidas já em vigor é muita sentida pela população. Nas redes sociais são frequentes as reclamações sobre estabelecimentos lotados e não uso de máscaras indevidamente tolerado. As aglomerações acontecem principalmente pela manhã, quando grande quantidade de pessoas da Zona Rural se deslocam para a sede. O último decreto previa um rodízio dos Distritos, mas ficou só no papel.

Em 2020, a prefeitura realizou o isolamento social rígido do centro da cidade, fechou acesso a ruas e impôs rodízio aos Distritos, diminuindo significativamente o contato com a população da sede. Distribuiu milhares de máscaras. Criou o telecovid. Estruturou várias equipes de visitação e realizou o acompanhamento individual de pacientes. Abriu uma Unidade Covid exclusiva para pessoas com a doença, isolando-as da UPA e do Eudásio Barroso, e aumentou a quantidade de leitos de internação para 40, ajudando a atender, inclusive, pacientes de outros municípios.

Parte das medidas desagradaram empresários e comerciantes e o então prefeito Ilário Marques pagou politicamente caro, inclusive sendo alvo de críticas constantes das mídias ligadas à família do atual prefeito. Mas foram aquelas medidas que ajudaram a frear a força da primeira onda do coronavírus, impedindo um surto da Covid-19 na Zona Rural.  Apesar de todas as medidas, o vírus matou 87 pessoas em 2020. Quantas teria matado se nenhuma medida tivesse sido tomada? Pergunta ainda mais importante: agora, com a força maior de contaminação das mutações que já circulam em Quixadá, quantas pessoas o vírus vai matar de novo se continuar correndo solto, sem enfrentamento sério do poder público? Não se luta contra o vírus assinando decretos, mas fazendo com que os decretos sejam cumpridos. Amanhã, ao tomar sua decisão, o prefeito vai sinalizar o que podemos esperar.


Site desenvolvido por Agência Clig