Ricardo Silveira aparece vibrando ao lado de João da Sapataria, de quem foi um dos principais apoiadores.

A gestão do prefeito de Quixadá, Ilário Marques, completou um ano. Seus opositores, cada vez mais isolados politicamente, aproveitaram o momento para perguntar: “E se fosse o João?”

João Hudson, popularmente conhecido como João da Sapataria, venceu Ilário Marques na disputa de 2012 tendo como principais defensores, dentre outros, os dirigentes da Rádio Monólitos.

O médico Ricardo Silveira, que perdeu as eleições de 2016, também foi apoiador incondicional do João da Sapataria. Em troca, ganhou uma secretaria. Não durou uma semana no cargo por causa de arengas internas, porém, em 2016 voltou a dar as mãos ao ex-prefeito e pediu seu apoio.

Ao que tudo indica, se tivesse vencido Ilário Marques, Ricardo teria dado aos principais personagens do governo João papeis importantes na administração pública, tornando os anos de 2017 a 2020 uma franca continuidade do modelo de governo desastroso inaugurado em 2013. Não por menos, todos os ex-secretários de João da Sapataria apoiaram a campanha do médico, obviamente enxergando nele potencial para o prosseguimento do mesmo sistema do qual fizeram parte anteriormente.

De fato, ao perguntar “E se fosse o João?”, os associados do Doutor Ricardo mostram-se na defensiva do ex-prefeito, tentando pintar sua antiga gestão como melhor do que a de Ilário Marques e, consequentemente, elevando-a a um patamar de modelo. Isto leva facilmente à pergunta: “E se fosse Ricardo Silveira?”

Sejamos claros e sinceros.

Se fosse Ricardo Silveira, que teria herdado toda a bagagem de João da Sapataria, a coisa mais certa do mundo é que a Rádio Monólitos estaria descrevendo a gestão de Quixadá como uma maravilha e a cidade estaria sendo apresentada em termos de quase perfeição. Ou alguém imagina que a rádio, dirigida pelos irmãos do Doutor Ricardo, faria fiscalização séria da atuação do poder público?

Se fosse Ricardo Silveira, com toda a influência dos antigos secretários de João Hudson em sua gestão, podemos imaginar o cenário de desmantelo financeiro. Vejam a prova de que o espírito de desequilíbrio seria o mesmo: a Rádio Monólitos foi totalmente contra a atualização tributária que Ilário está promovendo. Isto significa que continuariam arrecadando pouco e gastando muito, o que certamente manteria Quixadá em desequilíbrio, incapaz de fazer investimentos e inovar.

Este cenário teria impacto direto sobre o funcionalismo público e podemos imaginar a continuidade dos atrasos salariais, dos bloqueios judiciais das contas da prefeitura e, consequentemente, do sofrimento dos comerciantes, cujo lucro tem estreita relação com o bom funcionamento das finanças municipais.

A Rádio Monólitos, dos irmãos de Ricardo Silveira, também foi contra o decreto de calamidade financeira assinado por Ilário no início de 2017. O decreto, que não foi desaprovado pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), tornou possível que Quixadá executasse vários serviços dentro dum cenário de endividamento na casa dos R$ 40 milhões. Com Ricardo Silveira, então, o decreto de calamidade jamais teria existido e, assim, vários serviços em Quixadá continuariam extremamente deficientes. Limpeza pública, por exemplo, seria um deles.

Com a cidade suja, a epidemia de dengue, zika e chikungunya, que se abateu sobre Quixadá em 2016, teria enorme potencial para ter continuado em 2017. Aliás, como eles não reconheceram o valor da decisão que pôs fim ao lixão em Quixadá, com Ricardo Silveira o super-monturo estaria ainda exatamente no mesmo local, comprometendo a saúde de crianças e idosos, principalmente no Bairro Boto.

Com Ricardo Silveira, os aluguéis das casas dos apoiadores de João Hudson, que também apoiaram o médico, muito provavelmente continuariam a existir, comprometendo cerca de R$ 600 mil anuais, valor economizado por Ilário ao colocar fim nos absurdos abusos do poder financeiro do município.

Com Ricardo Silveira, o prefeito de Quixadá estaria ganhando quase R$ 20 mil. Ou alguém por acaso acha que a Rádio Monólitos teria feito oposição ao projeto que visava aumentar o salário do gestor? Será que os vereadores opositores de Ilário teriam denunciado aquele projeto ao Ministério Público caso o beneficiado fosse Ricardo Silveira, a quem apoiaram? Nunca!

Todos os melhoramentos que Ilário fez nas praças públicas não existiriam se fosse Ricardo Silveira, afinal, a Rádio Monólitos tem chamado essas melhorias de maquiagem. Ou seja: não teriam feito.

Com Ricardo Silveira, os 754 concursados de 2016 estariam, de fato, empossados. Uma coisa boa para eles. Todos com salários atrasados. Quando – e se -, forem finalmente empossados, preferirão um prefeito que consiga administrar sem atrasos salariais.

Com Ricardo Silveira não haveria aluguel de carro blindado. Mas é quase certo que haveria Hilux sem blindagem, alugada por valores ainda mais altos, como aconteceu durante o governo João, que eles parecem admirar. De fato, nunca reclamaram de que João alugava carro por valores muito acima do que o que Ilário, depois de um ano de gestão, começou a usar.

Diante deste cenário mais que provável, dado o irrestrito apoio e sustentação que a base de João da Sapataria daria a Ricardo Silveira num eventual governo seu, exercendo indiscutível influência, é inacreditável que eles se disponham a descrever a atual gestão como ‘nem um pouco melhor do que a anterior’. Embora Ilário Marques ainda tenha muito a fazer, por exemplo, reestruturar as vias de tráfego – que jamais receberam melhorias nos últimos anos, é inegável que Quixadá está de cara nova, com saúde financeira e pronta para iniciar um 2018 com ações muito mais impactantes.

Talvez seja por isto que, como disse o Coordenador de Juventude da Secretaria de Cultura, Carlos Cleyton, “o letreiro que diz EU AMO QUIXADÁ, instalado na Praça Coronel Nanan, é muito mais popular e influente do que toda a atual oposição.”

EDITORIAL


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