Centro Administrativo de Choró.

A Prefeitura de Choró, através de um assessor ligado ao gabinete do prefeito Marcondes Jucá, enviou ao Diário de Quixadá uma nota de esclarecimento – já devidamente publicada, acerca da festa de aniversário do município, realizada em praça pública no dia 27 de março. Para ler a nota da prefeitura de Choró, CLIQUE AQUI. O evento foi alvo de críticas por parte deste site, que apontou para falhas de planejamento da prefeitura na segurança da ocasião.

Consideramos que a resposta da prefeitura de Choró à nossa matéria é obtusa e falta com a verdade. Explicamos nossas razões a seguir.

De acordo com a prefeitura, o DQ não a procurou em nenhum momento para apuração do objeto tratado na matéria, que era um crime de homicídio a bala, brigas durante a festa e uma lesão, também à bala. Ora, para apurar notícia sobre crimes de morte este site buscou informações da Polícia Militar, não da prefeitura. Prefeitura não é quartel e nem delegacia. A nota da prefeitura de Choró é, além de tudo, ignorante quanto ao que afirma. A gestão de Marcondes Jucá quer ensinar este site a apurar notícias, o que é um disparate. Gestão pública deve se preocupar com questões de governo. Comunicação com precisão é preocupação nossa.

A nota da prefeitura de Choró afirma que o DQ publicou inverdades ao sugerir que havia pouca segurança no evento. Para isto, cita suas comunicações à Polícia Militar solicitando segurança para a festa e afirma ter contratado para a ocasião “mais de 60 seguranças privados… tanto uniformizados como a paisana.” Trata-se de uma interpretação forçada do que publicamos. Não dissemos que não havia a presença de policiais no local. Havia! Solicitar a atuação da Polícia Militar era o mínimo que a prefeitura poderia ter feito em relação à segurança de um evento daquele porte.

O que o DQ questionou foi, não a presença da PM, mas a evidente baixa segurança privada para a festa. A afirmação sobre a contratação de mais de 60 seguranças é passível de questionamento. Diz a nota que parte deste grupo estava “a paisana”. Quantos estavam a paisana? Afinal, era difícil localizar um segurança na festa. O DQ perguntou à prefeitura de Choró qual empresa havia sido contratada para garantir esta segurança privada e, em caso de contratação direta dos supostos mais de 60 profissionais, perguntamos quais os nomes deles. A gestão se negou a responder e se limitou a dizer que não trataria deste assunto conosco.

A nota da prefeitura também diz que uma das vias de tráfego foi inviabilizada para acomodar os participantes da festa. Mas o DQ não questionou isto. Questionamos o fato de que a festa foi feita SEM BARREIRAS DE ENTRADA NO ESPAÇO DO EVENTO E SEM NENHUMA ATUAÇÃO DE SEGURANÇAS PARA REALIZAR REVISTAS NAQUELES QUE CHEGAVAM AO LOCAL.

É fácil fechar um espaço pequeno como a praça central de Choró e colocar seguranças privados para fazer revistas em quem entra no local. Em Quixadá, por exemplo, ninguém entra na Praça José de Barros, por ocasião do seu uso em festas públicas, sem ser primeiro revistado. E o espaço em Quixadá é bem maior. Com mais de 60 seguranças, como a prefeitura afirma que haviam, seria possível fazer isto. Não estamos dizendo, com isto, que estas medidas evitam 100% dos crimes de morte, como o que houve em Choró, e que são geralmente premeditados; mas que elas minimizam a possibilidade de sua ocorrência.

A prefeitura também informa na nota que estavam na festa representantes do conselho tutelar. É uma tentativa de encher linguiça, já que não questionamos isto em nossa matéria.

Em seu direito de resposta, a prefeitura de Choró afirma que, exceto pelo assassinato, que ela diz ter ocorrido às 4h30 (a Polícia Militar diz que foi às 5 horas da manhã), todo o resto da festa ocorreu em paz. Não foi bem assim.

Em determinado momento, a confusão era tanta que o Zé Cantor, da bando Solteirões do Forró, precisou parar a apresentação para fazer uma intervenção e pedir tranquilidade. Não é possível que a prefeitura de Choró tente negar algo que foi visto POR TODAS AS PESSOAS que estiveram no evento.

A nota da prefeitura também nega que uma segunda pessoa, uma agricultora, tenha sido baleada. Diz que ela sofreu escoriações no pé direito, na perna direita e que tinha fragmentos de vidro no corpo. A Polícia Militar, porém, diz outra coisa, e o DQ publicou a história divulgada pela PM, já que é a polícia e não a prefeitura, que ouvimos em casos sobre crimes de violência. A versão da PM é de que a agricultora, que estava perto do palco, foi alvejada de raspão no seu joelho direito por um disparo de arma de fogo. Socorrida, ela passa bem. Consequentemente, a nota da prefeitura não tenta desmentir o DQ, mas sim a versão dada pela PM.

Mas vamos fingir que a prefeitura de Choró tenha dito a verdade sobre isto, e que a agricultora foi “apenas” ferida com estilhaços de vidro e sofreu escoriações no pé e na perna. Ora, a nota não havia dito que, a não ser pelo assassinato, todo o resto tinha sido de paz? Paz com cacos de vidro, só se for.

Nossa matéria também criticou o fato de que a festa durou a noite inteira, até de manhã. Dissemos que a experiência mostra que eventos deste tipo, abertos ao público, sem controle de recipientes que entram, como garrafas de vidro, e sem atuação de seguranças nos acessos ao local, com revistas pessoais, tendem a perder o controle após as 3 horas da madrugada. Todas as festas em Quixadá se encerram as 3 horas da madrugada. Choró e outros municípios poderiam copiar isto. Ou o Ministério Público poderia celebrar ali um Termo de Ajustamento de Conduta com o poder público que contivesse esta determinação.

A grande verdade é que o evento foi sim marcado por pouca segurança, brigas, uma pessoa baleada e outra assassinada.

Também é verdade que o prefeito Marcondes Jucá, embora pudesse ter melhorado a segurança da festa e reduzido sua duração, não tem responsabilidade pelos atos criminosos praticados nela. Sua intenção ao esticar a festa até de manhã foi oferecer alegria e diversão ao povo no aniversário do município que ele governa. Isto é incontestável. Só não foi uma decisão sábia.

Posto o acima, mantemos tudo o que foi dito em nossa matéria inicial, refutamos a resposta da prefeitura de Choró e desejamos que esta experiência tenha servido de aprendizado para o futuro.


Site desenvolvido por Agência Clig