Por que um candidato se recusa a debater?

O debate de ideias e propostas, quando bem planejado e bem conduzido, tende a provocar uma discussão mais aprofundada sobre os problemas e desafios da coletividade. Ele se diferencia das meras trocas de farpas típicas de ambientes mais superficiais, como é o caso das redes sociais. Obriga o debatedor a demonstrar conhecimento mínimo sobre a complexidade do que significa governar.

O debate tem, por isso, o condão de dar ao eleitorado uma visão melhor sobre o nível de preparo do candidato. Retira dele as cortinas e o isola da imagem criada pelo marketing; da propaganda meticulosamente estudada para convencer o eleitor; das cores, sons e demais apelos das peças publicitárias. Deixa o candidato sozinho, apenas com sua própria inteligência – ou ignorância – em confronto direto com outros debatedores.

É fácil para o candidato, por exemplo, dizer: “Precisamos de um hospital novo, grande, moderno, que atenda à demanda da nossa população.” A proposta é linda. Quem diz isso, porém, sem realmente conhecer o assunto, tem dificuldade para explicar detalhes técnicos que, no governo, fazem toda a diferença.

Há previsão orçamentária? De onde virão os recursos? Como isso se adéqua à divisão de responsabilidades das esferas governamentais no SUS? Como um município que tem dificuldades financeiras para bancar a esfera da saúde básica vai, agora, ampliar sua atuação para a saúde de alta complexidade, entrando em competências do Estado e da União? Questões como estas, que fazem referência à realidade de um município como Quixadá, exigem debate mais profundo. O candidato despreparado não vê outra saída e foge do confronto.

Em 2012, quando o eleitorado quixadaense entrou na onda do “saúde 10, educação 10, segurança 10”, das dancinhas e musiquinhas que grudavam na cabeça, e deixou a apresentação de propostas à margem, elegendo um candidato folclórico em nome de uma suposta “mudança”, introduziu no município um período devastador para suas finanças, organização fiscal e administrativa, manutenção de seus recursos territoriais e garantias do funcionalismo público. Quixadá ainda enfrenta sequelas do período inaugurado pelas decisões que favoreceram quem não se dispunha ao mínimo para se fazer conhecido num processo eleitoral: debater.

Ainda que hoje a realidade de Quixadá seja diferente e exista melhor equilíbrio fiscal e financeiro, melhor organização da máquina administrativa e segurança salarial para os servidores; e ainda que o município tenha recuperado a capacidade de se planejar e de pensar seu próprio futuro, há a necessidade do eleitorado ter sempre o mesmo cuidado com todos os que se apresentam para chefiar o município até 2024. Afinal, reconstruir é difícil, leva tempo, exige esforço e trabalho de longo prazo. Destruir tudo, por outro lado, é tão fácil quanto fugir de um debate.

EDITORIAL

Informe Público.


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