Por que Quixeramobim vacinou mais que Quixadá? (Foto: Governo do Ceará)

Há quem diga que, por ter instalado em seu território o Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), e por nele trabalharem centenas de pessoas atendendo cidadãos de 20 município da Região, Quixeramobim naturalmente vacinaria mais. O argumento é pueril e não faz nenhum sentido. Explicamos.

O que está envolvido não é a quantidade de doses recebidas por cada município, mas a eficiência manifesta na velocidade proporcional de aplicação, que reflete organização prévia, planejamento, adequação estrutural e de recursos humanos e responsabilidade administrativa.

É preciso considerar que, embora o HRSC seja gerido pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), a vacinação de seus profissionais é organizada pela prefeitura local. É uma questão de lógica que, quanto maiores os equipamentos de saúde de um município, mais se demandará da prefeitura que o administra capacidade de execução de um bom plano de vacinação.

Isto posto, segue-se que, por ter em seu território o HRSC, Quixeramobim possui um desafio muito maior do que Quixadá para vacinar. Na quarta-feira (20), foram vacinados 57 profissionais que trabalham na UTI Covid e na Enfermaria Covid do HRSC. A aplicação foi realizada por profissionais da prefeitura nos consultórios do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) da unidade. Outros profissionais do hospital continuaram sendo vacinados depois.

Além de ter o HRSC, Quixeramobim também possui a Casa do Ancião Santo Antônio, com idosos e acolhimento institucionalizado. É mais trabalho, não menos, para a prefeitura.

No acumulado divulgado neste sábado (30), 761 pessoas já foram vacinadas em Quixeramobim, incluindo muitos profissionais que atuam na linha de frente do combate ao Covid-19, mas não no HRSC. O que isto revela? Organização e planejamento, bem como a existência de um plano eficiente de vacinação. Aliás, Quixeramobim não está na lista de municípios que receberam recomendação do Ministério Público para criar um plano de vacinação, exatamente porque já o tinha e o aplicou desde o primeiro dia. Vamos desenhar.

X vai correr numa pista de 100 metros. Y vai correr numa pista de 150 metros. Se a eficiência na corrida de X e Y são iguais, a lógica impõe que X vai terminar a corrida primeiro. Mas se Y conclui a corrida antes de X, o que isso indica sobre a eficiência de corrida de X e Y? Indica que elas não são iguais e que Y corre muito mais que X. Se Quixadá tem uma estrutura de saúde menor porque não possui um equipamento como o HRSC, como alguns alegam, a lógica impõe que a vacinação aqui, na Terra dos Monólitos, deveria ocorrer com mais facilidade entre seus próprios profissionais, não o contrário.

Mas o que todos testemunhamos? Um desastre nas primeiras aplicações, realizadas fora de um plano de vacinação, obviamente sem critérios técnicos, mas focadas, ao que parece, na promoção da imagem do próprio prefeito, que as aplicou pessoalmente em transmissões ao vivo. É claro que o tal Comitê Especial de Enfrentamento à Covid-19 nada teve a ver com aquilo. Aliás, passou janeiro praticamente todo sem dizer uma palavra ou anunciar qualquer medida.

Toda a fase inicial de vacinação em Quixadá, na verdade, está na mesa dos promotores de justiça, que investigam se as primeiras centenas de doses foram usadas para beneficiar pessoas fora da fila e em promoção pessoal do gestor municipal.

A ausência de um plano de vacinação para ser seguido desde o primeiro momento, portanto, colocou Quixadá atrás de Quixeramobim.

Felizmente, parece que as coisas estão melhorando. Nas últimas 24 horas, mais de 100 pessoas foram vacinadas em Quixadá. Quixadá não está competindo com Quixeramobim (como X e Y acima) para ver quem vacina mais ou mais rápido. Mas comparar um município que tem mais demanda e que consegue vacinar mais eficientemente com aquele que tem demanda menor, não se dá com qualquer outro objetivo que não seja mostrar o valor da organização e da seriedade das ações contra o vírus. Em Quixadá, precisamos de mais organização e menos marketing. O resto é blá blá blá, papo furado e torcida política.


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