Ilário Marques fala à multidão na última noite de carnaval em Quixadá.

A festa de carnaval na Terra dos Monólitos surpreendeu. O investimento de cerca de R$ 190 mil, criteriosamente distribuído para garantir boas atrações, segurança e a quitação de outras despesas, pode ser visto como pequeno para uma cidade do porte de Quixadá.

Mais recursos poderiam ter sido colocados à disposição do evento, que agrada a maioria da população e representa retorno financeiro certo para a economia do município. Mas há fatores a serem considerados.

Apesar do discurso de boa parte da oposição política ao atual prefeito, Ilário Marques, de que a gestão não sabe priorizar os recursos, a realidade é outra. E o carnaval mostra isto com clareza.

Na semana em que a festa se iniciou, a prefeitura quixadaense estava recebendo quatro caminhões baús carregados com medicamentos. O investimento nesta aquisição foi de cerca de R$ 1 milhão, cinco vezes mais do que o valor investido no carnaval. Outro carregamento está para chegar.

Para recuperar estoque zerado no governo interino, Quixadá investiu em medicamentos 5 vezes mais do que no carnaval

Esta compra serviu para recuperar o estoque que havia sido inexplicavelmente zerado durante o governo interino, no final de 2018. O vice-prefeito João Paulo autorizou que os medicamentos e materiais que estavam em estoque fossem gastos, mas não providenciou a reposição, gerando uma enorme crise.

De volta ao comando da prefeitura, Ilário Marques determinou que a regularidade na reposição fosse retomada com urgência. De três em três meses, Quixadá faz nova aquisição para não deixar o estoque zerar. Foi assim durante 2017 e a primeira metade de 2018, e voltou a ser assim agora.

O discurso falso e politiqueiro, porém, distorce a realidade.

A população precisa saber que o município de Quixadá continua enfrentando os efeitos do desastroso governo de 2013 a 2016. Este não é um argumento meramente político, é um dado real. Multas milionárias aplicadas contra ações irresponsáveis naquele governo estão sendo pagas agora. Decisões judiciais estão saindo agora para obrigar o município a se corrigir dos desmandos e crimes levados a cabo durante o governo anterior.

Só uma destas despesas, esta com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), chega ao montante de R$ 3.421.475,70. A dívida gigantesca foi contraída no ano de 2015 quando o então gestor deixou de pagar valores obrigatórios ao INSS do funcionalismo público. A oposição faz a sujeira, o atual gestor está se virando para limpá-la, e ainda é tachado diariamente de mau gestor pelas mesmas pessoas que criaram estes prejuízos.

O prefeito quixadaense precisa ter muito jogo de cintura para honrar estas despesas milionárias sem deixar que a máquina pública simplesmente pare. Se um inexperiente tivesse sido eleito prefeito em 2016, a situação de Quixadá hoje seria, provavelmente, de completo desespero e paralisia.

É algo notável que, além de lidar com as demandas da administração atual, Ilário Marques ainda tenha de lidar também com as trapalhadas que fizeram na gestão anterior. As pessoas precisam saber que Quixadá estava com todas as fontes de captação de recursos bloqueadas; estava sem capacidade de bancar o próprio salário dos seus servidores; estava num caos fiscal e jogada às cordas. A cidade foi nocauteada pelo desgoverno dessa mesma turma que, agora, quer dar aulas de gestão pública.

O ano de 2018 foi perdido para Ilário Marques. Seu afastamento judicial, e o inacreditável rompimento do vice-prefeito João Paulo, que traiu o grupo que o elegeu e se aproximou da mesma turma que governou Quixadá entre 2013 e 2016, foi terrivelmente catastrófico para o município. Obras importantes foram paradas, licitações em andamento canceladas, contratos rompidos. Um atraso imperdoável!

Aliás, este site sabe que a Procuradoria dos Crimes Contra a Administração Pública teve, durante aquele período de três meses, informações acerca do vice-prefeito João Paulo que poderiam resultar numa completa reviravolta, mas não sabe dizer porque o órgão aparentemente ainda não fez nada a respeito.

Todos estes fatos devem ser levados em consideração ao se questionar porque o carnaval teve baixo investimento. O discurso da oposição sobre prioridades administrativas parece coisa de malucos. Falta a essa gente moral para riscar o pingo num i quando o assunto for gasto responsável de recursos públicos. A grande verdade é que, aos trancos e barrancos, praticamente com recursos próprios e contando apenas com a experiência administrativa do atual gestor e da sua equipe, Quixadá vai se erguendo do fundo daquele poço onde meia dúzia de aventureiros a colocaram. Ninguém deve se enganar. Este é um processo de recuperação que ainda levará anos. Só não pode é ser interrompido.

EDITORIAL


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