Epidemias matam em ondas.

O retrovisor é um recurso importante que o motorista pode usar para tomar decisões em relação ao que está à sua frente. De forma semelhante, olhar para o passado e verificar o que aconteceu em pandemias anteriores deveria ajudar a sociedade atual a tomar decisões melhores sobre o que fazer e o que não fazer no combate à covid-19.

Não é preciso muito esforço de pesquisa para descobrir que as pandemias do passado mataram em ondas sucessivas. Foi o caso, por exemplo, da gripe espanhola, que matou de 50 a 60 milhões de pessoas entre os anos de 1918 e 1919. Ela aconteceu em três ondas de infecção, como mostra o gráfico abaixo.

Três ondas de gripe espanhola mataram milhões de pessoas entre 1918 e 1919.

Naquela época, como hoje, muita gente, incluindo autoridades governamentais, apresentaram dificuldades para acreditar na existência da doença e não fizeram caso das recomendações para isolamento social.

Já a peste negra, que atingiu a Europa em 1347 e matou cerca de 50 milhões de pessoas, produziu todo esse estrago em dezenas de ondas nos anos seguintes.

Ilusão depois do pico leva ao desastre

Uma pandemia cresce e atinge picos que são caracterizados por um grande número de casos de pessoas infectadas e de óbitos. Os picos das pandemias são momentos críticos, pois o rápido crescimento nos casos provoca o esgotamento dos leitos hospitalares e os recursos se tornam escassos. Podemos chamar este cenário de primeira onda.

Logo após o pico, o número de casos de pessoas infectadas e de óbitos caem. Muitos acreditam na ilusão de que o perigo está deixando de existir.

Após a primeira onda, o nível de atividade da doença diminui consideravelmente com a queda no número de contágios e óbitos, levando à falsa sensação de controle. Muitos pensam que o pior já passou.

Torna-se uma árdua tarefa manter decisões restritivas e continuar com uma política de comunicação de risco que informe a população sobre a possibilidade de outras ondas serem piores do que a primeira.

Coisas assim podem ser vistas no retrovisor da história.

Neste momento em que o coronavírus ainda produz mais de 1 mil mortes por dia no Brasil, e a pressão econômica leva governos a flexibilizar medidas de isolamento, é importante que cada indivíduo entenda a seriedade do assunto e adote uma rotina que faça dos cuidados sanitários prioridade absoluta. Conscientização, responsabilidade com a própria saúde e do próximo e, claro, uma vacina eficaz são, no momento, as grandes demandas da humanidade.

Gooldemberg Saraiva
Contato: bergsaraiva@gmail.com / (88) 997285254


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