Ilário Marques, prefeito de Quixadá.

Militantes políticos de oposição ao governo municipal estão bem ativos nas redes sociais mostrando seu incômodo com todas as obras que estão em andamento em Quixadá.

Cada vez que a prefeitura revela algo novo que está tomando forma na cidade, vem o argumento: “É ano eleitoral. Passou três anos e não fez nada. Por que só agora no último ano?”

Esse tipo de argumento faria todo sentido se estivesse combinado com a realidade histórica. E não está. Explicamos.

A prefeitura de Quixadá não tinha absolutamente nenhuma condição de realizar grandes obras nos primeiros dois anos deste mandato. E o motivo é simples: em vez de construir, ela precisava, antes, ser reconstruída.

Rememorar os fatos é desagradável para militantes políticos ligados a personagens como Ricardo Silveira e João da Sapataria. Mas precisamos fazer isso para entender o cenário.

Em janeiro de 2017, após quatro anos de empenho destrutivo de uma gestão que existiu apenas para esmigalhar a máquina administrativa municipal, a prefeitura de Quixadá estava no fundo do poço. Não, é pior ainda: João da Sapataria cavou um buraco no fundo do poço e colocou a prefeitura lá. Refresque sua memória.

Manchetes que ajudam a explicar a realidade da história recente de Quixadá.

Salários de servidores estavam atrasados há vários meses, alguns deles com nome no SPC e Serasa porque a prefeitura descontava dos salários dinheiro dos empréstimos consignados e simplesmente não pagava os bancos. Até hoje não se sabe onde foram parar esses valores volumosos. Colocar salários em dia foi uma das prioridades para a atual gestão, que nunca deixou seus efetivos um único mês em atraso.

A prefeitura devia mais de R$ 40 milhões a fornecedores e não tinha recursos sequer para quitar suas dívidas. Todas as fontes de captação de recursos governamentais estavam bloqueadas. Foi necessário um decreto de calamidade financeira. Ilário Marques começou a governar sem nem mesmo ter autoridade sobre como usar o dinheiro público na cidade, porque a justiça havia tomado o controle financeiro da gestão anterior e só o devolveu depois que o atual prefeito corrigiu dezenas de problemas para mostrar que, diferente do anterior, poderia usar bem os recursos do povo.

As ruas da cidade, que já vinham de uma situação de desgaste da gestão Rômulo Carneiro, não receberam qualquer investimento entre 2013 e 2016. A cidade estava destruída.

Na saúde, os equipamentos usados pelos dentistas, por exemplo, eram ainda da época da última gestão Ilário Marques, lá dos anos de 2007 e 2008. Os postos de saúde cujas obras começaram com recursos do governo Dilma – e, curiosamente, pelos empenhos políticos de Ilário Marques, que era deputado federal -, não puderam ser terminados porque os recursos federais sumiram.

Todos os veículos do município haviam sido sucateados. A gestão que começou em 2017 percebeu que haviam roubado pneus, portas, lanternas, motores, tudo o que puderam.

O Hospital Eudásio Barroso estava para ser fechado, dado o nível de destruição a que o submeteram. Quem entra lá hoje não o reconhece por causa das melhorias feitas. Na UPA, um falso médico era quem fazia o atendimento da população. Sua contratação tinha acontecido por mensagem de Whatsapp. (E quem não lembra, também, das carradas de dipirona vencidas que a Secretaria de Saúde mandou distribuir naquela época?)

Para corrigir esses problemas a partir de 2017, a prefeitura de Quixadá precisou se reinventar, precisou economizar muito, precisou criar novos protocolos de organização. Não se deve subestimar o esforço para recuperar a área fiscal, pois quando ela não funciona, nada mais funciona. Hoje Quixadá segue rigorosamente a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Em 2018, quando as coisas estavam tomando forma, o que aconteceu? Denúncias que, até agora, não foram julgadas em definitivo, levaram ao afastamento de Ilário Marques.

O vice, João Paulo, que hoje é tido como exemplo pelos apoiadores do médico Ricardo Silveira, assumiu a prefeitura e conseguiu desorganizar tudo o que havia, até então, sido organizado.

Foram três meses de lixo tomando conta das ruas, quebra de contratos, paralisação de obras, suspensão de pagamentos de salários e perseguição aos servidores que não se sujeitaram ao mal que foi perpetrado na cidade naqueles dias.

Quem eram as figuras-chave por trás daquele governo interino? Aquela que seria a chapa Ricardo Silveira e Marcelo Ventura, sim, os dois maiores incentivadores locais da gestão do vice-prefeito. Marcelo se tornou a figura mais influente da gestão interina e Dr. Ricardo até secretários tinha poder para indicar.

Depois que Ilário voltou ao comando da máquina pública, precisou de mais um ano para recuperar tudo o que o vice havia estragado. Para destruir é fácil, para reconstruir, muito, muito difícil. O Ministério Público chegou a pedir a prisão de João Paulo, acusando-o de cobrar propinas de empresas contratadas pela prefeitura, mas como o governo interino já tinha acabado, a justiça negou o pedido. O processo, porém, continua.

E não seja minimizado o fato de que, em 2020, toda a máquina pública teve que se voltar para o enfrentamento da pandemia de coronavírus, inclusive paralisando setores importantes e deixando de arrecadar.

Agora, depois que as coisas se encaixam novamente e a máquina pública começa a exibir musculatura e capacidade de investimento, vem a crítica: “Não fez nada nos anos anteriores.” Críticas assim só podem se originar de dois tipos de cabeça: (1) a que não entende absolutamente nada do funcionamento de um governo e acha que os problemas se resolvem em passe de mágica; (2) a que não aceita a realidade histórica que aponta para os atuais opositores como aqueles que, de fato, destruíram Quixadá e que o atual governo, fosse sob o comando de qualquer outro, seria de reconstrução antes de começar a construir novamente.

Ao analisar o passado recente, fica claro que a oposição quixadaense não tem razão ao usar o argumento de que nada foi feito nos anos anteriores. Esse argumento desconsidera toda a reconstrução interna que foi feita, toda a reorganização institucional realizada, toda a correção de rumos adotada e, em especial, tudo o que foi feito para atrapalhar, em vez de ajudar.

É esse passado recente que será colocado para julgamento nas urnas em 2020 e é evidente que é disso que a oposição tem medo e, por isso, finge que nada aconteceu. Se for possível dar uma sugestão, valeria muito mais explicar como conseguirão fazer mais e melhor em vez de tentar enganar com um discurso mentiroso.

EDITORIAL

Informe Público.


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