BNDES

Na campanha de 2016 o médico Ricardo Silveira, na época filiado ao PMDB, hoje sem partido, mostrou que não sabia o que significava a sigla LGBT. Chamou de “doença”. A fala chocou os espectadores do debate que se realizava nas dependências da Faculdade de Ciências e Letras do Sertão Central/Feclesc. A demonstração de despreparo, principalmente por vir de um homem formado em medicina, foi questionada pelos adversários.

Não é possível dizer se o absurdo sobre o BNDES que o blog da sua família, usado diariamente para bater em oponentes políticos e vender sua candidatura a prefeito, publicou hoje tem a orientação do doutor.

O blog criticou uma fala do prefeito de Quixadá, Ilário Marques, na qual ele cita que está desenvolvendo um projeto de captação de recursos para ser apresentado ao BNDES. Disse que isto significava que Ilário estaria pedindo ajuda ao presidente Bolsonaro, ao mesmo tempo em que faz oposição ao governo dele. É uma argumentação patética, que exige um nível de ignorância intelectual igual ou maior do que aquela exibida em 2016 na Feclesc.

Por isso, vale perguntar: o médico Ricardo Silveira sabe o que é o BNDES?

Fundado em 1952, e Bolsonaro só nasceu em 1955, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é um dos maiores bancos de desenvolvimento do mundo e, hoje, o principal instrumento do Governo Federal, independente de quem use a faixa presidencial, para o financiamento de longo prazo e investimento em todos os segmentos da economia brasileira.

Para isso, apoia empreendedores de todos os portes, inclusive pessoas físicas, na realização de seus planos de modernização, de expansão e na concretização de novos negócios, tendo sempre em vista o potencial de geração de empregos, renda e de inclusão social para o Brasil.

Trata-se de uma empresa pública que não pertence ao governo Bolsonaro, e sim ao povo brasileiro. Buscar ajuda do BNDES é importante, e nada tem a ver com ideologia. O banco não usa critérios ideológicos para determinar a concessão ou não de financiamentos. Pelo menos não até hoje. Nem durante a ditadura fez isto. É exatamente o contrário: o BNDES avalia a concessão do apoio com foco no impacto socioambiental e econômico nas localidades e se isto será positivo para o Brasil.

É ótimo que Ilário tenha interesse em apresentar um bom projeto ao BNDES. Agora, é inacreditável que pessoas que querem dirigir Quixadá não saibam sequer o que é um banco público e que um prefeito, não importa de que partido seja, pode apresentar projetos a ele, visando obter apoio para melhorar o município.

Talvez seja por isso que o médico Ricardo Silveira tenha dado um pé na bunda no ex-senador Eunício Oliveira assim que o cacique do PMDB perdeu a eleição no Ceará. Talvez ele ache que a Funasa agora é do Bolsonaro, como talvez achasse que era do Eunício. O doutor não perdeu tempo em fazer fotos com os bolsonaristas do Ceará. Fez com Michel Temer, quando precisou; fez com Eunício, quando precisou; e agora faz com Heitor Freire, líder do PSL estadual.

É uma visão tão retrógrada e pequena sobre o que é política que fica até difícil dizer mais alguma coisa. A continuar neste ritmo, a oposição ao governo municipal vai continuar migrando com ainda mais velocidade para o advogado Sergio Onofre.

O BNDES é nosso, doutor, é do Brasil. Sempre foi e vai continuar sendo, se o Bolsonaro não se desfizer dele também.


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