Quixadá, Sertão Central do Ceará.

Nenhum comerciante quer ver as portas do seu negócio fechadas. Ninguém gostaria de ver isso. Quando o comércio para de funcionar, o prejuízo econômico vai além do caixa de cada empresário e afeta a qualidade de vida e a rotina de todos, principalmente dos trabalhadores. Mas valores precisam ser sopesados em momentos de crise para que fique estabelecida uma hierarquia saudável entre eles, de modo a criar condições para a preservação daquilo que é mais importante.

Quixadá passa hoje por um momento de crise sem igual desde o início da pandemia de coronavírus. O número de mortos pela Covid-19 cresceu numa velocidade assustadora. Em apenas 13 dias do mês de maio, temos registros de 24 óbitos! Trata-se, evidentemente, de um cenário trágico que não pode ser desprezado.

No dia 04 de maio, este site alertou, em editorial, que para barrar maio de mortes, Quixadá precisaria fazer um lockdown total, como aquele realizado pela cidade de Araraquara, em São Paulo. Nas redes sociais, internautas insistiram que lockdown não funciona. Infelizmente, a ignorância e a negação da ciência ainda definem o comportamento de muitas pessoas. Lockdown só não funciona quando não é realizado corretamente. Todos os lugares que o implementaram corretamente viram cair o número de novos casos e novos óbitos. Mas se opiniões sem fundamento e a negação da técnica e da ciência se multiplicam nas redes com liberdade, a mesma realidade não pode, de jeito nenhum, dominar as escolhas das autoridades públicas, sob pena de se perder muitas vidas mais.

Assim, é importante que, neste momento de maior crise, os comerciantes deixem as autoridades cuidarem do assunto sem pressão política. Já basta a pressão sobre o sistema de saúde. Para este momento, o comércio não pode ter mais apelo que a vida. Ninguém conhece qualquer pessoa que tenha morrido de fome ou por ganhar menos em 2021 em Quixadá, mas de Covid-19, que se multiplica pelo contato entre pessoas, já foram 58 mortes apenas neste ano. A postura contra o lockdown visa a proteção de interesses econômicos, e isso precisa ser dito de forma corajosa e clara. A preservação da vida é insuperavelmente mais importante.

EDITORIAL


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