Leitos desocupados em Quixadá, mas prontos para receber temporariamente pacientes com covid-19.

No meio de uma guerra contra o novo coronavírus e contra o sistema de desinformação com motivações políticas que atinge o município bem no meio da pandemia, Quixadá também tem motivos para comemorar.

Até aqui, graças à estratégia montada para combater a covid-19, que envolve a aplicação de decretos que geraram grande repercussão, como aquele que isolou o centro da cidade, foco principal da irradiação de contágio nas semanas iniciais da crise, o município conseguiu achatar a curva de infecções, promover o maior número de testagens da região, restringir o alcance do contágio na Zona Rural, triplicar o número de leitos, diminuir a necessidade de internações e efetivamente salvar vidas.

Tudo isso no meio de uma chuva diária de críticas de militantes políticos, rádios e blogs familiares com pré-candidatos de oposição, e outros que não tiveram até aqui a decência de reconhecer os esforços heroicos dos profissionais de saúde que, muitas vezes, tiveram suas decisões técnicas e científicas atacadas como se fossem frutos de escolhas políticas e até de orientação criminosa.

Espalham toda semana boatos covardes e maldosos, como aqueles que dizem que os médicos estariam supostamente seguindo ordens para diagnosticar covid para todo problema de saúde. Esse tipo de boato faz parecer que médicos, enfermeiras, técnicos de enfermagem, agentes de saúde, agentes de endemias e outros profissionais estariam numa espécie de complô geral com o chefe do executivo para prejudicar os pacientes, não para salvá-los.

2020 passará para a história como o ano em que setores políticos em Quixadá desprezaram a vida de seus conterrâneos e fizeram das suas ambições particulares o farol de guia para o caos e para a morte.

Não é por acaso, no entanto, que acima deste cenário desolador de desumanidade e militância política perversa, Quixadá conseguiu o extraordinário número de 925 recuperados num universo de 1.501 infecções até sexta-feira, 12.

Cabe, aqui, também um reconhecimento da coragem política do prefeito Ilário Marques que, não obstante o risco de ser criticado em pleno ano eleitoral por uma militância de oposição bolsonarista, ligada ao médico Ricardo Silveira e a administração do ex-prefeito João da Sapataria, com suas rádios e blogs, preferiu dar ouvidos ao seu conselho de crise sanitária, formado por médicos, epidemiologistas, enfermeiras e outros e agiu conforme as orientações que recebeu, mesmo ao custo da avaliação negativa de quem não acompanha a guerra a partir do seu front.

De fato, na mesma semana em que, numa live com comerciantes, Ricardo Silveira pregava a ideia de que ‘não era preciso ser tão rígido’, Ilário Marques renovava decreto de isolamento especial no centro da cidade.

Sim, poderíamos estar num cenário bem mais gravoso. O que, ironicamente, parece ter sido decisivo para impedir isto? A resposta é simples: o voto que foi dado nas urnas em 2016.

EDITORIAL


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