Na segunda-feira, 01, o prefeito de Quixadá, o médico Ricardo Silveira, disse que “o lockdown agora não é o ideal”. Justificou sua afirmação apontando para a “fragilidade” do comércio, não da vida. “O comércio já anda muito fragilizado. O povo do comércio não pode pagar um preço tão caro”, disse. Essa é uma visão indigna desse momento histórico.

Em períodos de guerra e de pandemia, a prioridade de governos sérios é preservar o maior número possível de vidas, não de negócios. É mais razoável que a economia seja machucada do que vidas sejam sacrificadas. E na hipótese da República não cumprir seu papel de auxiliar apropriadamente os cidadãos em isolamento social, é mais razoável passar fome, ansiedade e dor de cabeça, do que ver filhos, pais, mães, avós, amigos queridos, tendo de respirar com uma cânula de intubação enfiada na garganta com ajuda de um laringoscópio.

Simulação de uma intubação.

A escolha do prefeito no início da semana, assim como a do presidente Jair Bolsonaro, é política, não técnica. É absolutamente evidente que Quixadá precisa, com urgência, decretar lockdown neste início de março. Isso, claro, exigirá que o prefeito tenha coragem de contrariar tantos interesses econômicos que defenderam sua eleição.

Não é segredo para ninguém que, em 2020, Ricardo Silveira atacava algumas medidas sanitárias adotadas contra a Covid-19 e as descrevia como “perseguição”. Atacou, em transmissão ao vivo, a decisão pelo fechamento temporário do Centro da cidade. Atacou também o rodízio de veículos da Zona Rural. Chegou a desprezar a Unidade Covid, equipamento que tinha 20 leitos, contava com ventiladores mecânicos e que salvou dezenas de vidas não só dos quixadaenses, mas até de outros municípios da região. Foi a Unidade Covid que ele desprezava que ‘segurou as pontas’ em Quixadá até o governo do Estado resolver ampliar a oferta de leitos no ano passado.

O lockdown é necessário porque, embora a oferta de leitos vá ser ampliada no novo hospital de campanha que será aberto em Quixeramobim, ninguém quer ir parar lá, ou precisar passar por intubação, essa roleta-russa. Ter leitos à disposição não justifica não fazer o que for necessário para evitar que os cidadãos precisem deles.

O lockdown é necessário agora porque, como todos os especialistas tem apontado, o pico da segunda onda vai acontecer na metade do mês.

Já há informações de que o prefeito analisa reconsiderar sua decisão de não decretar lockdown. Esta é nossa singela contribuição, cientes de nosso alcance na sociedade quixadaense, para incentivá-lo a fazer isso: prefeito, abandone o negacionismo bolsonarista da sua fala de segunda-feira, desça do palanque, abrace a ciência que salva vidas e faça o que é necessário: Quixadá precisa de lockdown agora, antes da tempestade, não depois!


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