Doutor Ricardo Silveira e João da Sapataria, aliados históricos tentam voltar ao poder em Quixadá.

– Por Itamar Filho: É arriscado dizer que uma crônica tem lado? Sinceramente, leitor, todos nós conhecemos os nossos lados. Seria hipocrisia se apresentar aqui de ‘neutrão’ como alguns fazem. Se não conhecem o meu, basta procurar por um vídeo denominado ‘Ser neutro’ nas redes sociais e você vai saber o que penso, mas adianto: Se você alimenta uma raiva pela esquerda e não concorda com nada em seus governos, se votaria em um poste para não eleger um progressista, se acredita que o Coronavírus é uma invenção do governo comunista chinês ou que a Terra é plana, esse texto não é bacana pra você, então, se mesmo assim o ler, já deixo aqui uma resposta para todos os seus comentários: “Você está certíssimo, concordo com tudo, continue assim, hein.”

Dito o necessário, vamos a crônica. O rádio, o blog, o texto. A voz, a mídia, a mentira. Interessante como andam juntos, e por descuido -ou interesse- podem se misturar. Quixadá sofre de um mal que não é exclusivo de nossa cidade, pelo contrário, se arrasta pela história do Brasil: a figura do opositor que não entende seu papel. Seja com Aécio chorando em 2014, ou com outros, mais locais, chorando até hoje, muitos não sabem o que um opositor faz ou deveria fazer.

Ora, venhamos e convenhamos, raciocina comigo, ó figura pensante que me lê: “Se eu conheço o jogo político e, em tese, a democracia, o que devo fazer quando perco uma eleição? 1: Agradecer o apoio que me foi dado pelo povo, por alianças; desejar um bom mandato a meu opositor; cobrar suas promessas de campanha; debater ideias e elevar o nível de projetos para meu município ou 2: Ficar de birra com a população após a eleição por ter perdido; brigar com aliados que pensam diferente; falar mal de meu opositor todos os dias, sem reconhecer nenhum tipo de trabalho dele -mesmo aqueles que mais se aproximavam do que eu mesmo prometi; questionar a pintura de meio-fio e levar a Câmara, representante do povo, uma discussão que não vai a lugar nenhum; rebaixar a luta e menosprezar a labuta de centenas de profissionais do serviço público de saúde -que trabalham muito mais do que eu- por mera divergência politiqueira com o prefeito.” Adivinha o que os que querem ser ‘protagonistas’ da oposição quixadaense escolheram.

Não precisa esforço, basta ouvir um radialista, ler uma matéria de determinados blogs, conhecer certos ‘Doutores’ -por favor, doutor é quem tem doutorado, certo. É incrível como a ganância por poder, pelo mando e desmando do paço municipal faz as pessoas esquecerem seus princípios -ou vão me dizer que médicos e advogados não prometem dar vida pelo povo e a justiça?- e a história de suas famílias para conseguirem, de qualquer forma, um mandato de 4 anos lá, ou uma chance de se perpetuar na Câmara.

A nova política, que de nova não tem nada, só acaba com a capacidade de Quixadá produzir uma safra de figuras, de situação e oposição, que elevem o debate em nossa cidade ao patamar que nosso povo sempre quis. Eles querem tomar pra si, no grito diário da ‘voz e vez’, a chancela da oposição, mas esquecem que uma hora o quixadaense se cansa da ladainha do que “muito fala e pouco faz”.

Que se inspirem nessas eleições em personas como Sérgio Onofre -promissor advogado, carismático e político- e Cícero Freitas -também advogado, professor, historiador, meu amigo pessoal. Ambos sentiram a necessidade de se fazerem presentes na política e se tornaram gratos presentes -na dualidade de sentidos da palavra- para a oposição que Quixadá merece. Ambos sairão gigantes seja qual for o resultado das eleições de novembro -tá sabendo que é em novembro, né leitor? Farão como opositores, juntos ao experiente (6x candidato, hexa antes do Brasil) Ilário Marques, na situação, um primoroso e respeitoso debate de ideias, e não de farpas como alunos de 5º ano ou como o presidente não se cansa de fazer.

Que Sérgio e Cícero resgatem o bonito e essencial papel da oposição em uma democracia e que as enfadonhas figuras que hoje só sabem repetir o discurso do miguxo do Queiroz -Cloroquina, taoquei- aprendam como se faz política honesta de verdade.

Essa crônica, como qualquer outra do gênero, contém elementos de crítica e humor. As opiniões emitidas nela não refletem necessariamente a opinião do Diário de Quixadá.


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