Crônicas que tem lado: A cidade que querem, mas não ajudam a fazer.

POR Itamar Filho – Em quantas pessoas você pensou ao ler o título desse texto? Quantos de nós não temos amigos, conhecidos, vizinhos, que sempre falam da política como se ela fosse a escória da humanidade? Que englobam um universo plural de pensamentos na generalização do “político que só aparece em ano de eleição”? Ou mais, que falam que queriam uma cidade diferente, um Estado mais desenvolvido, um país mais educado? Muitos, não é? A maioria, pra falar a verdade.

Agora, façamos um exercício de reflexão: estariam essas mesmas pessoas ajudando seu país, seu Estado, suas cidades a rumarem no caminho do futuro? Se não, o que essas personas verdadeiramente fazem? Acho que todos nós sabemos a resposta, mas por vias de fato e esclarecimento, deixarei visível aqui: Reclamam! E como reclamam. Tendo razão, não tendo razão, fugindo da razão, elas sempre irão reclamar.

Dia desses um causo aqui em Quixadá eclodiu em uma polêmica. Agentes da AGEFISQ, agência fiscalizadora do nosso município, acompanhados de policiais, apreenderam mercadoria e retiraram um ambulante de uma calçada no centro da cidade; um vídeo foi feito e postado; um título chamativo dizia que o prefeito era um perseguidor; uma saída fácil pela oposição foi dada: deixem o pai de família trabalhar.

Acontece que essa mesma saída já havia sido usada na gestão passada, do ex-prefeito João. O resultado? De caso em caso, o centro foi abarrotado. Os calçadões tomados; a frente das lojas, tumultuadas; locais historicamente cedidos para venda dos ambulantes, tanto de frutas quanto de variedades, foram subjugados, e estes, perderam freguesia mesmo cumprindo com acordado de seus corretos espaços.

Desde 2017, porém, o centro vem sendo reorganizado. Os ambulantes da conhecida rua lateral à Caixa Econômica voltaram a ter sua freguesia e espaço ocupados corretamente; os vendedores de frutas ganharam um ambiente mais apropriado, e os vendedores avulsos, quando abordados pelas autarquias municipais, eram encaminhados para locais que não prejudicassem ninguém -nem mesmo eles.

E depois de tanto esforço, não só do prefeito ou do secretário da pasta, mas daqueles que percorrem a cidade de sol a sol, servidores do município -repito, do município– acabaram em meio à agressões e rispidez por causa de um caso.

Ninguém, e isso afirmo com toda certeza, é contra alguém buscar o pão de cada dia, um trabalho, principalmente no país de Bolsonaro -presidente cuja política não é de geração de emprego, mas de destruição de opositores. Porém, da mesma forma, nem um servidor merece tamanho rechaço, ainda mais quando se mostra, no próprio fatídico vídeo, que não houve alterações ou exageros. Lá eles só cumpriam seu trabalho, o de zelar pelas leis e códigos de Quixadá.

Não é questão de julgar quem está certo ou errado, mas sim de analisar fatos, e os fatos dispostos na mesa são: Alguém vendendo produtos em um espaço inapropriado; esse mesmo alguém já tinha um espaço cedido para trabalhar, mas se recusou a estar lá; agentes públicos cumprindo seu papel; uma intervenção sem agressões, filmada por um 3º que tinha interesse em um espetáculo; e bem a frente, nas costas de quem gravara tudo, dezenas de outros ambulantes, vendendo seus produtos, em um ambiente separado para eles, sem descumprirem nenhum dos códigos de posturas municipal. Ponto.

Digo tudo isso para mostrar que há poucos metros do ocorrido tinham outros pais e mães de família, ganhando seu pão, sem atrapalhar ninguém -nem a eles mesmo, mas isso não interessou a quem estava filmando a abordagem dos também trabalhadores do município. Esse queria culpar o prefeito por leis que em sua maioria nem foi ele que aprovou.

Essa postura reflete a baixeza de quem fala que quer uma cidade bonita, organizada, limpa, mas deixa a bagunça correr solta. O reflexo de quem quer sentar no paço municipal, mas não respeita nem as leis do município, muito menos seus servidores.

Se na eleição, a época de se “fazer de bom moço”, já mostram a face autoritária contra o serviço público, imaginem o tratamento que será dado a nossos amigos servidores se chegarem à prefeitura. Particularmente, não gosto nem de fazer esse exercício de pensamento. E esse texto mostra de qual lado estamos e acreditamos: o lado do trabalhador! O ambulante, o empregado, o servidor.

Nossa classe é uma só apesar de suas nuances, mas é a classe organizada, que não se deixa levar por tramoias de quem quer se eleger. Nós reconhecemos nossos deveres, cumprimos com as leis, assim como lutamos, incansavelmente por nossos direitos, por isso nos reconhecemos. Sabemos quem na luta está conosco, e quem dela só quer se aproveitar. Todo o apoio aos servidores municipais, todo o apoio aos ambulantes que já tem um espaço cedido. N

Nossa próxima luta por vocês será a construção de um ambiente maior, com uma baita estrutura, a altura que merecem. Vocês, trabalhadores, não estão sozinhos. E não se deixem levar pela lábia daqueles que só querem polemizar, mas não dão valor a sua luta; aqueles que constroem seus luxos sobre o salário de 500 reais que pagam a seus funcionários. Lutem sempre.

E a você, que quer uma cidade realmente decente, veja bem os fatos, encare a realidade e não uma fantasia. Substitua o verbo ‘Reclamar’ pelo ‘Ajudar’.

Essa crônica, como qualquer outra do gênero, contém elementos de crítica e humor. As opiniões emitidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do Diário de Quixadá.


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