Kercya Nara Felipe de Castro Abrantes.

Corporeidade é definida como “a forma que o cérebro reconhece o corpo como instrumento relacional com o mundo”. Ter um corpo gordo em uma sociedade que padroniza, seleciona e dita normas de beleza é um grande desafio. Superar é uma vitória, mas se além de me aceitar, eu me acolho e me entendo como mulher potência e bela em cada célula do meu corpo fora do padrão? Eu me revoluciono, revoluciono outras mulheres, revoluciono a sociedade, quebrando padrões.

Eu não acordei um dia e me disse: eu me amo gorda! Tudo é processo, e muitas vezes doloroso. O mais importante: Contínuo. Minha história é a de uma mulher magra que precisou se reconhecer em sua corporeidade, e aprender a lidar com os conflitos sobre a aparência, legitimando-se para si e para os outros. Nesse caminho, temos altos e baixos, equilibrar-se naquilo que somos, para além do julgamento alheio, é essencial.

O julgamento alheio impacta muito em nossa autoestima e gera culpa. O corpo gordo não é visto como belo, como sensual, como desejável. Na minha caminhada como mulher gorda, todos os dias, preciso alimentar a minha estima, através dos autocuidados, e assim, me armar (e me amar) contra o ódio que os outros querem que eu sinta do meu braço, da minha barriga, das minhas coxas, da minha pele, da minha existência.

As pessoas em geral não entendem e até contestam, quando uma mulher fora do padrão do mito da beleza, caminha de cabeça erguida, totalmente a vontade com sua aparência. É muito interessante ver rostos incrédulos e pasmos, quando em bom tom, digo: “Eu sou uma mulher bonita. Eu sou uma mulher sensual. Eu me admiro, me aceito e me quero bem”.

E o que eu desejo para todas as mulheres reais, gordas ou magras, fora do “padrão”, é que elas encontrem o caminho de volta para os seus corações e chegando lá, cuidem-se tão bem, que ninguém ousará contestar. Nada é mais poderoso do que a mulher que conseguiu se reconstruir e se estabelecer bem na pele que habita.

SOBRE A AUTORA: Kercya Nara Felipe de Castro Abrantes. Graduada em Letras pela FECLESC/UECE. Especialista em Literatura e formação do Leitor pela UECE. Mestra em Literatura e interculturalidade pela UEPB. Suas pesquisas acadêmicas versam sobre a representação feminina na literatura e sobre as matriarcas nordestinas nas obras de Rachel de Queiroz. Foi professora da Universidade Estadual do Ceará, Campus Limoeiro do Norte e da Unicatólica de Quixadá. Atualmente é docente da Faculdade Católica de Fortaleza. Presta serviços de formação de professores na editora Somos Educação e é uma das idealizadoras do Projeto elas por elas : Jornadas Femininas, projeto este que visa a formação de mulheres em prol do empoderamento Feminino.


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