Sergio Onofre.

O advogado quixadaense Sergio Onofre, que se apresenta como pré-candidato, dificilmente sairá derrotado politicamente de 2020. A gente explica.

Ricardo Silveira perdeu as eleições de 2016 para Ilário Marques, mesmo tendo naquele ano mais apoio do que agora. De lá para cá, desgastou-se como opção eleitoral e deixou escapar parcerias importantes de políticos nacionais de renome, como os do núcleo duro do MDB cearense, partido que abandonou após as eleições; esvaziou, também, boa parte do apoio de lideranças locais. Em vários distritos, pré-candidatos à Câmara Municipal que estavam com o médico em 2016, agora não estão mais.

É consenso nos bastidores que, se perder de novo em 2020, Ricardo ficará muito frágil para disputar outra vez em 2024.

Mas se o médico desce a ladeira da oposição em Quixadá, Sergio Onofre faz o caminho oposto. É nome que acende alertas em todas as alas da política local, mesmo naquelas em que os líderes lhe negam o protagonismo atual ou o tem ainda em pouca conta, subestimando-o.

Se em 2018 Ricardo Silveira temeu se arriscar como candidato a deputado estadual e preferiu negociar seu apoio a nomes de fora do município, Onofre, por outro lado, ergueu o peito e foi à luta, se expôs, dialogou e pediu votos com confiança. Superou muito a quantidade de votos levantados pelos irmãos Silveira e ficou atrás apenas de Osmar Baquit em Quixadá.

Ligado a alas estratégicas que reúnem trabalhadores no município, de conversa equilibrada e uma mente ágil, Onofre raciocina com certa facilidade sobre os problemas quixadaenses, mostrando desenvoltura e inteligência que parecem escassas no principal concorrente na oposição. Faz lembrar o próprio Ilário no início da década de 1990. Um debate entre ele e Ricardo Silveira quase certamente terminaria muito negativamente para este último.

Na remota hipótese de ganhar as eleições em Quixadá em 2020, Sergio sairia gigante. Porém, mesmo se perder desta vez, deixa o pleito fortalecido, com lucros políticos sobre a derrocada de Ricardo Silveira, caso Ilário seja reeleito. Se ficar em segundo lugar, então, poderia comemorar quase como se tivesse ganhado a eleição. A única forma de Onofre perder protagonismo na oposição nos anos seguintes é se Ricardo Silveira ganhar as eleições de 2020, o que também parece difícil. Assim, o principal oponente de Sergio Onofre, hoje, não é o prefeito atual, mas o médico bolsonarista; e a principal qualidade que sua trajetória política impõe, neste momento, é a paciência.

A campanha de Ricardo Silveira, caso se mantenha até o fim neste ano, esperará até o último minuto para que Onofre desista, como desistiu em 2016, e para tê-lo na mesma chapa. Caso não consiga, nomes como o do vereador Marcelo Ventura, do ex-prefeito João da Sapataria e até do atual vice-prefeito, João Paulo, estarão no radar.

À parte deste cenário, a discussão política mais profunda no âmbito da oposição acontece, sem dúvida, no seio da pré-campanha de Sergio Onofre. Até que o conjunto da oposição perceba e aposte nisto, porém, quem leva vantagem é Ilário Marques.


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