Policiais do BPRaio. Imagem meramente ilustrativa.

A violência policial no Brasil é escandalosa e algum tipo de intervenção se faz necessária para reduzir os números de guerra exibidos no país. Isto não se questiona.

É importante, porém, reconhecermos o óbvio: num ambiente de normalidade – especialmente em cidades do interior cearense, como é o caso de Quixadá -, se o cidadão está limpo, não está praticando nada errado e está em boa situação perante a Justiça, não há porque temer ser abordado pelos policiais.

A abordagem, claro, não será carinhosa, embora deva ser respeitosa e deva preservar as garantias constitucionais dos abordados. É ilusão esperar outra coisa. Policiais precisam mostrar autoridade e superioridade de força mesmo antes de ser necessário usá-la. Voz alta, postura de poder de fogo, gestos que demonstram controle da situação. Está tudo normal. Não há porque temer isto ou ser contra isto. Policial perguntou? Responda. Pediu documento? Entregue-o. Solicitou colaboração? Colabore. É simples.

O exercício da atividade policial nos moldes e limites da Lei garante a paz social e é fator essencial para a manutenção de um Estado onde seja possível viver sem as características de uma selva dominada por predadores perigosos e sem limites para atuar. A polícia é, em sentido bem literal, o limite que nos separa do caos. Retire a polícia por um único dia e o caos tomará conta de tudo. Esta é nossa realidade.

Daí o indivíduo está sendo abordado pela polícia, saca uma arma e atira contra os policiais? É bandido! Não tem como definir de outro modo! Atirou na polícia? É bandido sim!

Devemos dar valor ao trabalho da polícia na medida em que ele representa a ação legal. É fácil falar mal e criticar o trabalho da PM. Mas quantos dos críticos teriam sangue no olho para trabalhar numa profissão que lida todos os dias com todo tipo de gente ruim e perigosa? Quantos deles teriam coragem de trabalhar numa profissão que os expusesse diariamente ao limite entre a vida e a morte? Não é por menos que os PM’s são constantemente descritos como “guerreiros”. Quanto à coragem para fazer o que fazem, eles são mesmo.

E tem mais: quando o policial não é corrupto e nem excede os limites que lhe são impostos por lei, quando não abusa da sua autoridade, exercendo sua atividade com dignidade, honra e perícia, pode-se dizer que ele tem, além de tudo, um dom de Deus.

Diz a passagem bíblica: “Se você não quer ter medo da autoridade, faça o bem, e ela o elogiará. A autoridade é o instrumento de Deus para o seu bem. Mas, se você pratica o mal, tema, pois não é à toa que a autoridade usa a espada: quando castiga, ela está a serviço de Deus para manifestar a sua ira contra o malfeitor.” (Romanos 13: 3,4)

É verdade que não vivemos num Estado teocrático, com autoridades civis representando Deus. Mas quem pode dizer que não é da vontade de um Deus de amor e de paz que a maldade seja punida?

Gooldemberg Saraiva é editor do Diário de Quixadá

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