Primeiro, a íntegra da carta:

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O Poder Judiciário brasileiro, que condenou Lula num processo vergonhoso, politicamente interessado e rechaçado por juristas em todo o mundo, tem mais um motivo para se envergonhar. Desta vez, uma carta escrita pelo Papa Francisco a Lula não deixa dúvidas sobre o que pensa Sua Santidade, o líder máximo da Igreja Católica, acerca da situação na qual se encontra o ex-presidente, aclamado por juristas e pensadores dos quatro cantos da terra como o preso político mais importante dos nossos tempos.

Francisco usa expressões-chave que desmontam o arcabouço de hipocrisias e ilegalidades usadas para justificar o encarceramento que retirou Lula da disputa eleitoral de 2018, que poderia, ainda no primeiro turno, levá-lo de volta ao comando da nação.

Usando fraseologia típica de comunicações religiosas e um tom obviamente pastoral, como não poderia deixar de ser, Francisco diz a Lula coisas como esta: “O bem vencerá o mal, a verdade vencerá a mentira e a salvação vencerá a condenação”. O Papa também diz para Lula “não desanimar” e pede por suas orações.

Ora, se quisesse evitar que suas palavras fossem utilizadas no mundo da disputa política, Francisco jamais teria dito tais coisas, pois ao menos entendido de nós elas dizem com força e clareza a Lula que o próprio Papa sabe de que lado está “o mal” e “a mentira”, isto é, do lado da “condenação” que ele assegura que, no final, será derrotada.

Se forem católicos, os juízes e os promotores envolvidos na condenação de Lula deveriam ficar seriamente preocupados e dedicar alguns minutos a mais na próxima confissão. Na doutrina católica, não há margem para um fiel afogar em seu orgulho, em nome de ódio político, a justiça que emana do trono de São Pedro. Para o registro dos jornais de hoje e para o registro da história de amanhã, resta claro que o Papa Francisco deu a Lula a chancela da inocência e do sofrimento mediante injustiça, uma vergonha que o judiciário brasileiro talvez jamais supere.

EDITORIAL


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