O florista regando a flor!

Alguns anos já se passaram desde que nos falamos e nos vimos pela última vez. O tempo e a distância nos separam e sequer sabemos um do outro. Tanta coisa aconteceu! Confesso que fiz muita bobagem. Até caminhei por veredas perigosas e me deixei levar por aventurazinhas tolas. Coisas que, felizmente, chegaram ao fim e até me cansaram. Já chega! É tempo de re(começar)! 

Gostaria que você soubesse que nada, ninguém e nenhuma circunstância que me cercou neste tempo todo – e nem mesmo as suas decisões, algumas das quais não me favoreceram -, foram suficientes para diminuir aquele sentimento que nasceu ao som de Giz, da Legião Urbana, numa cozinha com muita bagunça. Você lembra, não lembra?

O oposto é que é verdade.

A cada dia que passa as minhas lembranças – como no dia em que você desenhou este florista regando a flor -, ficam mais fixas em minha mente e em meu coração, criam raízes fortes e produzem um carinho tão imenso e uma vontade sempre maior de vivê-los ao seu lado, segurando suas mãos para o que der e vier, como sabíamos que seria.

É tão absurdo que tenhamos sentido aquilo tudo e que tenhamos nos perdido no trajeto da vida! A imagem dos seus dentes manchados, dos seus sinais, dos seus pés grandes e ridículos, das suas caretas, das suas loucuras de menina e principalmente das bordas nos teus lábios finos – tudo tão cristalino em minha mente -, são elementos que se juntam em guerra contra a desesperança e me fazem enxergar com confiança nossas mãos enrugadas, entrelaçadas, e me fazem ouvir nossa conversa barulhenta sobre mais um dia juntos, velhinhos e felizes.

Se é impossível? Talvez. Mas é o que tenho pra hoje: saudade do que não fomos e muita esperança do que ainda podemos ser! Se um dia Deus entender ser bonito que nós aconteçamos, quero fazer tanta coisa diferente! E se não for assim, que fique ao menos registrado hoje: amo você muito mais do que antes! Só queria que você soubesse…

“Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És parte ainda do que me faz forte
E, pra ser honesto, só um pouquinho infeliz.”

Com um amor do tamanho do amor,
Gooldemberg Saraiva

P.S.: Ainda guardo com muito carinho seu velho boné sujo de cimento, o aviãozinho amarelo e o cubo mágico que você me deu, assim como a foto 217.


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