Ricardo Silveira

Se um dia se tornar prefeito de Quixadá, Ricardo Silveira vai descobrir que fiscalizar o uso dos espaços públicos, segundo os fundamentos da lei, é uma tarefa institucional, e terá uma escolha a fazer: (1) cumprir a lei e fiscalizar, permitindo que os servidores concursados e que atuam nesta área desenvolvam suas atividades com liberdade, ou (2) interferir para desmontar a fiscalização, impedindo que os servidores concursados atuem conforme suas funções e liberando geral o uso dos espaços públicos para serem usados sem nenhum regramento, desta forma cometendo crime.

Pelo modo como os veículos de comunicação da sua família abordam estas questões, fingindo defender trabalhadores supostamente perseguidos, enquanto apoiam o governo Bolsonaro, altamente agressivo com a classe trabalhadora, a resposta sobre o que o elitista quixadaense escolheria fazer parece ficar evidente.

Na verdade, o modelo de governo praticado por João da Sapataria, defendido por Ricardo Silveira, já mostrou como a cidade pode sofrer quando se permite o uso descontrolado dos espaços públicos. Só não lembra quem não quer lembrar. As ruas de Quixadá, principalmente as do centro, se transformaram num chiqueiro a céu aberto. Queiram reconhecer ou não, com todos os problemas que ainda faltam ser resolvidos, temos hoje o mínimo de organização e civilidade no uso dos espaços de convivência da coletividade.

Para criar um ambiente de criticas ao atual prefeito, as mídias da família Silveira gostam de dar destaque a casos específicos em que fiscais da prefeitura impedem o uso irregular dos espaços públicos. Estes fiscais são servidores da máquina pública, não agentes pessoais do chefe do executivo, e eles vão estar lá no futuro, quem quer que ganhe o mandato passageiro de prefeito.

Mas em vez de explicar que a atividade dos fiscais é institucional, e que o ato talvez nem seja de conhecimento do chefe do executivo, os irmãos Silveiras jogam a conta para cima do atual prefeito.Porque não entrevistam os fiscais? Porque não perguntam se foi o prefeito que os mandou expulsar especificamente este ou aquele vendedor ambulante de um espaço inapropriado, e com base em que legislação eles atuam daquela forma? A resposta é simples: não querem esclarecer, querem fazer campanha eleitoral contra o atual prefeito, seu inimigo político, e a favor do filho dourado da família.

Ricardo Silveira precisa vir a público e dizer se é a favor da atividade livre do setor de fiscalização da prefeitura, em conformidade com a lei, ou se defende a desordem e o uso irrestrito de calçadas, ruas, praças e avenidas da cidade. O pensamento pequeno, típico de líder de cidadezinha esquecida do interior, não combina com o futuro de Quixadá, a principal cidade do sertão central do Ceará. Quanto mais as mídias da família Silveira se mostram irracionais e desligadas da institucionalidade, mais o voto em Sergio Onofre se fortalece como opção daqueles que, embora não queiram a continuidade do atual gestor, também não querem dar vez a quem não exibe compromisso sério com o cuidado dos interesses coletivos.

EDITORIAL


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