Foto da internet para mostrar o que é uma pinguela. Conjunto de paus, unidos um a um, para formar uma pequena ponte por onde se pode atravessar um rio.

Não se pode negar: há muitos quixadaenses que não gostam do atual prefeito, Ilário Marques. Como toda liderança forte, o petista acumula antipatia quase na mesma proporção em que é admirado. Quase, repito. Não fosse este pequeno detalhe, talvez tivesse perdido a última eleição.

Sem Ilário no cenário político de Quixadá, o apoio popular se diluiria em vários núcleos menores. O motivo é simples: não há liderança equivalente, capaz de agregar tanto quanto.

Na verdade, é a figura do próprio Ilário que une a sua oposição. Os núcleos menores sabem que precisam dar as mãos e fazer barulho juntos para ter alguma chance de derrotá-lo. Conseguiram este feito em 2012, quando levaram João Hudson ao poder. Evidentemente, aquele passado despertou lições de estratégia no petista.

No ano passado, em vez de peitar a todos de uma só vez, Ilário resolveu usar a famosa estratégia de Zhou Enlai, primeiro-ministro da República Popular da China entre os anos de 1949 e 1976: dividir a oposição e conquistar dela aqueles que podiam fazer diferença concreta no plano de vitória. E assim foi. Os Baquits, com seu conjunto de lideranças espalhadas pelos quatro cantos do município, celebraram aliança com Marques e foram, de fato, fundamentais para a consecução do pleito.

A oposição política a Ilário, hoje, está reduzida a ex-apoiadores de João Hudson e à família Silveira, cujo trunfo mais forte é o capital de comunicação que possui, instrumento que se corporifica na pessoa do radialista Herley Nunes, na minha opinião a figura mais competente e mais influente do rádio no município e o meio pelo qual a voz dos opositores ganha vida.

Diante de um cenário de reconstrução, com o município saindo aos poucos daquela realidade à qual foi jogado nos últimos anos, a oposição tenta de toda forma possível desqualificar a gestão municipal, às vezes até mesmo atribuindo problemas criados por ela mesma, durante o governo João Hudson, a atual administração. Desatentos à cronologia dos eventos, há quem acredite.

A PINGUELA DA OPOSIÇÃO

O fato é que, hoje, a oposição ao governo do PT em Quixadá usa como falso manto de aprovação popular a luta dos concursados para provar a legitimidade do certame e para terem seu direito às vagas respeitado. A prova final de aprovação popular, na verdade, são as urnas, vale lembrar.

Para usar um termo do vocabulário de FHC, este embate judicial envolvendo o concurso público é a pinguela da oposição em Quixadá. Sem ele, boa parte do barulho que se faz, principalmente nas redes sociais – barulho legítimo, convenhamos -, não existiria.

Os concursados estão certos: se não se envolveram em nenhuma fraude, tem mesmo é que lutar pelo que conquistaram. Ilário não deve esperar que estes estejam satisfeitos com ele, e nem acho que espera. Não deve esperar, também, que a oposição política não use o embate judicial em proveito próprio. Faz parte do jogo. Quem não está fazendo política disto são os concursados. Querem apenas assegurar suas vagas e usam os espaços que lhes são oferecidos em prol da própria luta. Mais que justo.

O fato é que, no momento em que o assunto do concurso se resolver, a oposição perderá sua pinguela. Terá de ir futricar licitação, contar buracos nas ruas, examinar prateleira de posto de saúde ou qualquer outra coisa parecida. Para quem não tem que dirigir os interesses da coletividade, não falta do que reclamar.

Sem a pinguela, porém, estarão jogados de vez contra a correnteza do rio, isto é, terão de enfrentar a evidente melhora no ambiente fiscal, a recuperação das tradições, o pagamento dos servidores em dia, a execução de projetos, a inauguração de obras, a construção de novas alianças políticas, a progressiva extirpação dos efeitos da era João Hudson e a presença firme do poder executivo na vida do município.

Gooldemberg Saraiva é editor do Diário de Quixadá


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