José Avelino Neto é jornalista e escreve semanalmente para o Diário de Quixadá.

Eu estava cobrindo um evento na Câmara Municipal de Quixadá, quando em meio a uma conversa com o dono deste site, Gooldemberg Saraiva, recebi um convite para escrever um texto semanalmente no Diário de Quixadá. Confesso: gosto de escrever. Contudo, gostar de algo não é sinônimo de que eu faça bem aquilo que gosto. Portanto, nobre leitor, logo em minha apresentação, peço-lhe desculpas. Essas linhas podem conter tropeços e falhas. E em meio a essa questão há um adendo pujante, que me deu a ideia desse primeiro texto.

Diariamente somos bombardeados por textos. Ter um tempo disponível para a leitura está se tornando tarefa difícil, mas ainda assim os textos insistem em aparecer. Mas ler algo hoje em dia virou uma enorme armadilha: poucas vezes conseguimos ler algo sem nos inquietar. Somos mexidos pela leitura e o resultado é que não resistimos e logo comentamos. E escrever o que se pensa, sem ponderações, é acender um fósforo em meio a uma casa de pólvora.

Não há mais o respeito com aquilo que não gostamos, é assim também na leitura. Parece-me não mais haver tolerância pelo que se vê, lê ou percebe, algo extremamente ruim. É preciso respeitar algo, mesmo que não se concorde com o que se está dizendo. E essa sensação de intolerância está ainda mais latente na era atual, com as redes sociais que nos permitem opinar sobre o que aparece na timeline.

Parece irônico, e é mesmo. Há quem não se dê conta disto, mas deveria usar luvas de boxe ao tecer comentários nas redes sociais.

Muitos não percebem, mas há neste fato um grande risco: as discordâncias, por vezes, acarretam em severas discussões que avançam para o terreno da moral e da ética. Somos ofendidos de forma barata por aqueles dão seu palpite de forma súbita, sem ponderar suas palavras e medir o poder de destruição que elas tem quando nos atingem.

Voltaire, ensaísta, escritor e filósofo da França, tem uma frase que expressa de maneira muito clara essa questão: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”. É assim que tem que ser, doa a quem doer. Seu direito de opinar é o mesmo que o outro tem de dizer o que também pensa. Nem sempre opinar sobre algo é necessário. É preciso, sim, ter coragem para falar. Mas em outras vezes, é preciso ter sensibilidade para ficar calado. É uma questão inquietante de uma linha tênue entre a discordância e o respeito. Refletir sobre essa questão nos deixa mais maduros e firmes.

Creio que não poderia começar neste espaço com outra reflexão senão esta, afinal, nos veremos semanalmente. E embora você possa dar sua opinião sobre o que for ler, eu espero que você o faça com respeito. Escreva e diga o que achou: neto.javelino@gmail.com

É isso por hoje. Um abraço forte e até a próxima.

José Avelino Neto é jornalista e escreve semanalmente para o Diário de Quixadá


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