Quem tem medo de Nibiru?

Uma das maiores teorias da conspiração diz respeito ao fim do mundo. É a teoria de Nibiru, um planeta gigantesco, o 10º do Sistema Solar (se considerarmos ainda Plutão um planeta), também chamado de Hercólobus, ou Planeta X, que estaria em rota de colisão com a Terra em breve.

É uma ideia bastante difundida, havendo seguidores em praticamente todo o mundo e, claro, vídeos sobre o tema em vários idiomas (basta consultar o You Tube). Há quem dê palestras longuíssimas sobre a ameaça de Nibiru, alertando a humanidade sobre seu fim próximo.

Modelo de suposta órbita de Nibiru no Sistema Solar.

Segundo alguns adeptos da teoria, Nibiru tem uma órbita muito maior do que a dos demais planetas, é quatro vezes maior que Júpiter e está a cada dia aproximando-se da Terra, com a qual se chocará e porá fim à vida no planeta, e a NASA sabe de tudo, mas esconde os fatos.

Segundo outros, Nibiru não se chocará com a Terra, mas sua passagem pelo Sistema Solar está perturbando o equilíbrio dos astros, fazendo com que cometas se desprendam da Nuvem de Oort e asteroides se desloquem do cinturão entre Marte e Júpiter, de modo a ocorrer colisões com a Terra (e com outros planetas do sistema), pondo fim a 90% da vida terrena.

Para quem defende a existência de Nibiru, a extinção dos dinossauros a partir da queda de um asteroide deve-se à última aproximação do temível astro.

Já os cientistas especulam que, sim, pode haver um astro que, com certa periodicidade, corte o Sistema Solar, perturbando a órbita de seus componentes e causando catástrofes à Terra. Esse astro seria uma estrela anã que formaria com o Sol um sistema binário. Segundo Mike Brown, professor de Astronomia Planetária no Caltech (California Institute of Technology), quase todas as estrelas conhecidas orbitam em pares em torno de um mesmo centro gravitacional e, ao que tudo indica, o Sol também tem sua estrela companheira. Os cientistas chamam essa estrela de Nêmesis e especulam que ela cruze o Sistema Solar a cada 66 milhões de anos, quando então causa grandes alterações no espaço ao nosso redor, fazendo com que asteroides e cometas se choquem com mais frequência com a Terra e os demais planetas.

O choque de um asteroide ou de um cometa com a Terra pode pôr fim a cerca de 90% da vida que ela abriga. Para Brown, há evidências de que houve extinção em massa da vida terráquea a, teoricamente, cada 65 ou 66 milhões de anos e que tal regularidade só pode ser explicada pela passagem de Nêmesis, cuja existência é quase certa, restando apenas localizá-la.

Para muitos grupos que pregam o fim do mundo a partir de profecias de livros sagrados, de visões de videntes famosos ou de evidências deixadas pela NASA e pelo comportamento dos grandes líderes mundiais, o fim está próximo, e a agência americana que estuda o universo está mentindo: não se trata de uma estrela, mas de um imenso planeta que os antigos sumérios já conheciam e sobre o qual deixaram escritos. “Nibiru”, na língua daquele povo, significa “cruzamento” e é o planeta que trará o fim da humanidade. Conforme esses grupos, a NASA sabe a verdade sobre Nibiru e esconde-a do mundo, enquanto abrigos subterrâneos para as pessoas mais ricas do planeta são construídos em diversas regiões.

Acho que não precisamos acreditar em coisas do tipo para tornarmos nossa vida aqui mais digna e significativa. Não precisamos crer num dia em que todos morreremos ao mesmo tempo para procurarmos ser pessoas melhores, preparando-nos espiritualmente, pois, afinal de contas, todos morreremos. Morrer em coletividade ou individualmente é algo completamente irrelevante para quem quer morrer em paz consigo mesmo e com os outros. Não é verdade?

Jards Nobre é professor, escritor e escreve para o Diário de Quixadá semanalmente.

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