Hospital Maternidade Jesus Maria e José, em Quixadá.

Há anos o Hospital Maternidade Jesus, Maria e José (HMJMJ) enfrenta na justiça uma acirrada disputa para não sofrer danos financeiros por causa de um contrato celebrado com o médico Ricardo Silveira.

O médico afirma que usou recursos dele para construir um prédio anexo à maternidade, onde funcionaria um hospital do coração operado por uma empresa que ele montou em sociedade com um de seus irmãos. A direção da maternidade diz, por outro lado, que a construção do anexo se deu com recursos de doações conseguidas pelo Bispo Dom Adélio Tomasim e com fundos da Unicatólica.

Quando assumiu a Diocese, o atual Bispo Dom Ângelo Pignoli não gostou dos termos do contrato e quis colocar um ponto final nele. A empresa de Ricardo Silveira embolsaria 65% de todo o lucro dos serviços, embora fosse a responsável pela parte menos dispendiosa deles. O Hospital do Coração seria transformado, desta forma, numa máquina de fazer dinheiro para os irmãos Silveira, em detrimento da maternidade, que é uma instituição filantrópica sem fins lucrativos.

Após 10 anos, o contrato entre as partes se encerrou em 20 de maio deste ano. Mas a briga na justiça continua sem resolução.

2020 é ano eleitoral e Ricardo Silveira é pré-candidato. Ele fala abertamente em fechar o Hospital Eudásio Barroso para transformá-lo numa espécie de clínica, modelo que ele é acostumado a operar na iniciativa privada. Vale ressaltar que Quixadá já possui acesso à Policlínica Regional, com dezenas de especialidades destinadas ao atendimento de todos os cidadãos, principalmente daqueles que não podem pagar por eles.

Neste contexto, há muita especulação nos bastidores sobre qual seria o futuro da parceria histórica entre a prefeitura de Quixadá e a Maternidade Jesus Maria e José numa hipotética gestão sob o comando do médico que luta contra ela na justiça há tantos anos. Na gestão João da Sapataria, parceiro político de Ricardo Silveira nas eleições de 2016, a maternidade ficou muitos meses sem receber os repasses do município. A dívida gerada naquele período levou ao bloqueio de vários serviços. Desde 2017, porém, a maternidade não viu mais atrasos nos repasses da prefeitura, que somam quase R$ 1 milhão por mês.

Nos próximos meses, a atual administração vai implantar ali, em parceria com o Governo do Estado, leitos de UTI para atendimentos de alta complexidade, uma grande conquista.

Não é preciso dizer que, diante do poder do rancor e da ambição política, 2020 tende a decidir também o futuro de uma das maiores obras de Dom Adélio em Quixadá.


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