Com o tema, “Mulher: Diversos Saberes em Diferentes Linguagens”, a Escola Profissional de Quixadá realizou no último dia 30, na Casa de Saberes Cego Aderaldo o seu III Sarau Poético.

O evento recebeu um público de aproximadamente 500 pessoas, que tiveram a oportunidade de apreciar os trabalhos produzidos pelos jovens estudantes, entre estes, poemas, cartazes e apresentações culturais.

As apresentações culturais receberão os seguintes títulos:

 

  • Fim da submissão da mulher ao homem;
  • Violência contra a mulher;
  •  Padrões de beleza estabelecido;
  • Memórias e construção da mulher;
  • A força da mulher na sociedade machista;
  • Mulher: uma longa história pela conquista dos direitos da mulher;
  • Vozes não silenciadas;
  • Feminicídio: gritos de socorro;
  •  Mulheres no poder e sua inviabilização no cotidiano;
  • Mulheres guerreiras resistem;
  • Desconstruindo os padrões femininos;
  • É tudo mimimi

 

A aluna Iana oliveira, do 3º ano de Administração fez a abertura do sarau com um  trecho do texto  extraído do livro “Sejamos todos feministas” de Chimamanda Ngozi Adichie, que faz uma reflexão profunda sobre, fatos concretos, preconceitos e problemas. As questões apontadas são nigerianas, mas a realidade retratada é global: a mulher é vista e tratada como inferior em uma sociedade cada vez mais machista e misógina.

O evento foi encerrado com o texto de autoria da educanda Amanda Buriti, 3º ano de Enfermagem e que aqui colocamos a disposição para leitura e reflexão de nossos seguidores e seguidoras:

– Eu queria deixar aqui antes de tudo um agradecimento à escola como um todo, por permitir que assuntos tão atuais e importantes sejam falados e discutidos em sala de aula e artisticamente. E abrir espaço para uma reflexão autoral e que tem tudo à ver com o tema do Sarau Poético

Quero hoje falar não só por mim, mas por todas as mulheres que de alguma forma já foram reprimidas e silenciadas, que foram agredidas moralmente e fisicamente, que largaram seus sonhos para viver o de outras pessoas. Quero falar pelas Marias, Rayannes, Dandaras e Marielles, mesmo que nossas lutas fossem diferentes, nossa vontade era a mesma, viver.

No Brasil, mais de 12 mulheres são assassinadas por dia e esse número representa não só casos de feminicídios, mas de como a nossa batalha para sobreviver é árdua e demanda coragem. Mais de 60 mil casos de abuso sexual acontecem todos os anos e a maioria deles no convívio doméstico. Isso quer dizer que a segurança para nós é um privilégio. Que mesmo com tanta dor ainda somos esquecidas e nossos gritos de socorro são abafados.

E depois, nossos corpos são expostos, objetificados e padronizados, roupas nos apertam e sapatos nos machucam, impõe um nariz, uma boca ou uma sobrancelha para sermos mais “femininas” e “bonitas”, como se isso fossem títulos de honra. E impedem-nos de opinar sobre nosso próprio corpo, sobre nossos desejos ou limitações. Nosso destino então é traçado por um patriarcado que não sente o prazer e o desprazer de ser mulher.

E eu sei que parece impossível mudarmos essa realidade, mas nós somos fortes, somos a maioria, somos competentes e temos singularidades que complementam umas as outras. 

Somos a revolução e somos livres acima de tudo. Somos nós responsáveis por nossas próprias vidas e pela nossa felicidade, pelo nosso corpo e por nossas decisões. Nada e nem ninguém consegue deter uma mulher que se reinventou e descobriu que a pessoa mais importante do mundo é ela mesma e que lutar pelos nossos direitos é tão essencial quanto ser feliz.

Eles vão tentar nos calar novamente, vão tentar ditar regras, vão tentar nos torturar psicologicamente como sempre fizeram, mas no final, nossa voz não estará salvando apenas nossas vidas, mas toda a linhagem de mulheres que virão depois.

“A sociedade sempre teve medo de mulheres que voam, sejam elas bruxas, sejam elas livres.”

Nossa luta vale à pena e nossas vidas IMPORTAM.

 

Colaboração textual e fotos: Professora Alcione Santiago

 

 

Site desenvolvido por Agência Clig