FORTALEZA, CE, BRASIL – Bombeiros apagam fogo em Ônibus incendiado no bairro Planalto Ayrton Senna. (Foto: Fabio lima/O POVO)

Não existe nenhuma ameaça concreta de facções contra a cidade de Quixadá. Nenhum membro de qualquer grupo criminoso deixou recado, quer através de áudios, quer através de cartas específicas, como aconteceu em Fortaleza.

O temor que se espalhou nesta cidade do Sertão Central, e também em Baturité, deve-se a um áudio compartilhado através do aplicativo WhatsApp em que um indivíduo não identificado relata que outro indivíduo, também não identificado, teria dito que elementos armados ameaçaram transformar a noite desta quinta-feira, 20, nestes dois municípios, numa noite de guerra. Nada concreto e com todas as características de ser uma brincadeira de muito mau gosto, geradora de pânico e prejuízos desnecessários.

Um áudio deste tipo, divulgado num contexto de ataque a veículos na Capital e na Região Metropolitana, tende a ser recebido como merecedor de credibilidade, visto que, independente de ser ou não uma brincadeira sem graça, há um clima de insegurança no Estado. Em Quixadá, por causa do medo gerado por esta divulgação, escolas e instituições de ensino superior cancelaram as aulas à noite. Veículos coletivos deixaram de circular.

A própria polícia não tem conhecimento de nenhum tipo de ameaça do tipo, embora assegure estar preparada caso algo assim aconteça. De outra parte, nenhum grupo criminoso, tal como o Comando Vermelho, assumiu qualquer tipo de ameaça contra Quixadá. Grupos deste tipo, embora atuem no âmbito da criminalidade, agem com certa medida de inteligência na defesa dos próprios interesses. Sabem que um ataque orquestrado às cidades do interior, espalhando terror desproporcional, seria uma desnecessária declaração de guerra, desencadeando reações do Estado e despertando outras forças para a lida com tamanha crise.

Não há qualquer conclusão das autoridades no sentido de que o ônibus incendiado no município de Itapiúna, 56 km de distância de Quixadá, tenha ligação com os ataques ocorridos na capital, sendo tal ligação feita muito mais por imaginação e dedução do que por evidências reais.

Não há, de fato, nenhum motivo para pânico em Quixadá. O que existe realmente de concreto é a capacidade de alguns para fazer mal uso das redes sociais espalhando histórias sem comprovação e geradoras de pânico.


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