Mídias dos irmãos Silveira pressionam por afrouxamento do isolamento social em plena subida da curva de infecções.

Os irmãos Silveira parecem decididos a replicar em Quixadá a defesa da política de morte do presidente Jair Bolsonaro, que mantém um discurso corriqueiro em prol do fim do isolamento social, uso de remédios sem amparo científico e foco central na economia, em vez de na vida.

Pré-candidato a prefeito de Quixadá, o cardiologista Ricardo Silveira tem se colocado favorável à diminuição das regras de isolamento social no município, embora os números mostrem que a curva de infecções está em plena subida.

Na semana passada, numa live ao lado de quatro comerciantes, chegou a dizer: “Eu também sou favorável ao isolamento, mas temos que pensar também em outro foco, o foco da economia”. Em outro ponto da live, Ricardo Silveira afirma, como recado ao prefeito Ilário Marques, que “não há necessidade de ser tão rigoroso”.

Na mesma live o médico recomendou, assim como Bolsonaro, medicação para pacientes com covid-19 e defendeu o uso de cloroquina. A Sociedade Brasileira de Cardiologia, porém, alertou médicos e pacientes a não utilizarem o medicamento.

Dias depois, em nota, o médico classificou as medidas de restrição à circulação de pessoas como “tolher direitos”, mesmo discurso de Bolsonaro. Desconsidera o contexto de crise sanitária de alto risco.

As mídias dos irmãos Silveira tem se dedicado a promover esse tipo de discurso e a fortalecer a base de bolsonaristas que apoiam o representante da família nas urnas.

Nesta sexta-feira, por exemplo, veiculou matéria na qual apresenta em luz negativa as medidas de restrição na cidade ao entrevistar um comerciante que precisou limitar suas atividades. A intenção parece ser a de apresentar essas pessoas como vítimas dos decretos municipais, como se não existissem também decretos do Estado e recomendações científicas da comunidade médica nacional e internacional em prol do isolamento.

As verdadeiras vítimas em Quixadá, porém, até agora, foram 12. Estão todas mortas por incidência do coronavírus. O vírus não vai parar de infectar pessoas até que exista uma vacina que o impeça. Os números ainda vão crescer por algum tempo. O isolamento social por alguns meses, no entanto, pode frear a velocidade de novas contaminações. Quanto menos isolamento, mais a curva de novas infecções se verticaliza, o que pode causar mais óbitos e pressionar o sistema de saúde, levando-o ao colapso.

Por causa da postura alinhada à de Bolsonaro, Ricardo Silveira tem sido chamado em grupos de Whatsapp de “Dr. Cloroquina” e de “Dr. Morte”. A herança do período de pandemia pode custar politicamente caro ao pré-candidato que vai deixando rastros de anti-ciência, anti-medicina e anti-vida.


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