Presidente Jair Bolsonaro.

O presidente Jair Bolsonaro aprovou a mensagem que será lida em quarteis e guarnições militares no próximo dia 31 de março, em alusão à mesma data no ano 1964, dia da tomada de poder pelos militares, com a derrubada do então presidente João Goulart e a instalação de um regime controlado pelas Forças Armadas que resultou em uma sequência de violações às liberdades civis, torturas e assassinatos.

A informação foi confirmada nessa segunda-feira, 25, pelo porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, que disse que Bolsonaro refuta o termo “golpe” para classificar a mudança de regime em 1964.

O porta-voz informou que Bolsonaro já havia determinado ao Ministério da Defesa que fizesse as “comemorações devidas com relação ao 31 de março de 1964”, mas não deu detalhes sobre o conteúdo da mensagem oficial, que deve ressaltar o protagonismo das Forças Armadas naquele momento histórico do país.

Dentro dos quartéis o pensamento é outro. Um general conta, segundo a jornalista Miriam Leitão, que entre os comandos, não há essa intenção de comemorar, mas sim de lembrar o fato histórico, “sem fazer juízos de valor ou radicalismos de qualquer natureza”. O interesse é passar uma mensagem de conciliação. Muitos membros das Forças Armadas, portanto, pensam diferente do presidente da República.

A visão de Bolsonaro sobre a história gerou dois fatos ruins para ele e para o país, recentemente. No Paraguai, ele elogiou o ditador Alfredo Stroessner, que comandou um governo violento e corrupto, e o atual presidente do país não corroborou suas palavras. Aconteceu o mesmo no Chile. Bolsonaro fez elogios ao ditador Augusto Pinochet, responsável pela morte de 3.000 pessoas, e o atual presidente Sebastián Piñera, que não é de esquerda, definiu as declarações como “infelizes”. Nem os países que são governados por grupos de direita estão interessados nesta revisão sobre as ditaduras do continente.

Bolsonaro está impondo algo que nem as Forças Armadas querem.


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